Acordei assustada com um barulho no quarto. Sentei na cama e então vi o corpo do Lucas estendido no chão.
- Ai - ele resmungou.
- Não acredito - comecei a rir.
- Não ri, tá doendo. - ele disse com dificuldade de levantar,
- Machucou? - me aproximei dele. Ele me olhou tipo "Não, to esticado aqui no chão porque é confortável"
- Mereço uma massagem para passar a dor. - ele disse voltando para a cama.
- Boa tentativa, mas não - sorri deitando do lado dele.
- Você já foi mais carinhosa sabia?
- E você menos folgado - dei de línguas.
Lucas me puxou me fazendo deitar em seu peito. Cruzei nossas pernas em baixo da coberta e fechei meus olhos, escutando apenas o som de sua respiração e dos batimentos cardíacos.
- O que é isso? - Lucas disse olhando paro o meu pulso. Olhei e vi minha tatuagem. Era uma frase pequena escrita "endless love" com dois pássaros no final.
- Fiz para meu vô - sorri lembrando dele.
- Ele morreu? - ele disse com um certo receio na voz.
- Sim.
- Ah. Ele deve ter sido incrível.
- Realmente foi. - senti meus olhos marejar. Fechei eles com força impedindo que as lágrimas saíssem.
Então um silêncio se prolongou ali. Lucas começou a fazer um cafuné em mim e eu o abracei.
E pela segunda vez, dormimos.
Acordei com a claridade do quarto. Eu e o Lucas estávamos na mesma posição. Levantei com cuidado me soltando de seus braços, peguei uma toalha e uma roupa e fui tomar um banho gelado.
Saí do banho e o Lucas continuava a dormir. Sentei na cadeira que tinha ali e fiquei tirando fotos mentais de cada respiração que ele dava. E eu tive a certeza que eu estava apaixonada.
E eu me apaixonei por ele da mesma forma que você se apaixona por uma comida assim que você experimenta ela. Sei que essa não é a melhor comparação, mas foi assim que funcionou.
Ele se mexeu na cama, abriu os olhos e sorriu assim que me viu.
- Ta aí faz tempo? - ele disse com a voz rouca, fazendo meu braço se arrepiar por inteiro.
- Um pouco, não sei - disse e ele sorriu de novo. - Fazia tempo que eu não dormia tão bem viu?!
- Que bom. - sorri - Vou preparar o café da manhã. O que você quer?
- Tem whey?
- Whey? Olha pra mim e vê se tenho cara de quem toma isso. - digo parando em frente a cama com as duas mãos na cintura.
- Tia Camila que deve ter tomado na gravidez, por que olha - ai o bobão começou a bater palmas.
Ri. - Suco com torrada e queijo, pode ser?
- Pode. - ele sorriu.
- Vou lá. - disse me virando indo em direção a porta.
- OH - Lucas gritou
- Que é doido? - digo me virando de frente para ele.
- Cadê beijo de bom dia? - ele fez um bico.
- Tá lá em baixo junto com o café da manhã - sorri irônica, abri a porta do quarto e dei de cara com a Thamires chegando de mansinho.
- NO FRAGA! - gritei apontando para ela.
- AN? - Lucas gritou do banheiro.
- NÃO É COM VOCÊ - Disse a ele.
- opa opa, quem pegou quem no fraga? - Thamires disse cruzando os braços.
- To escondendo nada, já você - ri.
- Só entrei devagar para não te acordar uai - ela deu de ombros.
- Aham - ri.
- Noite foi boa? - ela piscou e riu de um modo safada.
- Foi, mas não aconteceu nada do que você tá pensando - falei baixo para ela.
- Num creio - ela fez cara de chocada.
- Tá, vou preparar o café da manhã. Você vai querer?
- Não, comi na padaria aqui perto. Vou tomar um banho e deitar.
- Elaiaaaaaaa - digo descendo as escadas rindo.
- Ha ha, fica quieta ou. - ela riu entrando no quarto dela.
Fui para a cozinha e arrumei toda a mesa. Lucas desceu as escadas com a mesma roupa de ontem a noite, porém descalso.
- Vai pegar resfriado pisando nesse chão gelado.
- Pior que mãe - ele riu vindo na minha direção. Beijou minha bochecha e sentou na mesa.
- Hulk vai me matar, mas to nem aí pra dieta.
- Que rebeldia jovem. - ri.
Comemos e pela primeira vez vi Lucas comer com tanta vontade.
- Veio da Africa? - ri
- Só sei que to ferrado. - ele disse sentando no sofá.
- Que nada. Um dia de academia e já era. - pisquei e sentei do lado dele.
- Tá chegando a hora de eu ir. - ele fez bico.
- Pera, lembrei que hoje eu trabalhava - fiz cara de tédio.
- Você é uma das donas, faltar um dia não vai matar.
- Espera pra ver a reação da Sarah e da Iza que você vai mudar de opinião facinho - sorri.
- Tão tá.
- TEM UM CELULAR BERRANDO AQUI NO SEU QUARTO NACLARA.
- Deve ser o meu. - Lucas levantou correndo e subiu as escadas. Minutos voltou com o celular na orelha e os tênis na mão.
- Tá. Eu aviso. Ok. Tá entendi. Tchau.
- Alessandro?
- O próprio.
- Já vai ter que ir?
- Uhum - ele fez bico enquanto vestia sua lancha, digo seu tênis.
- Vem comigo até a porta? Tem um carro chegando já para me buscar.
- Qual destino hoje? - digo me levantando e acompanhando ele até a porta.
- Pocket show. Porém, não sei a cidade - ele riu.
- Queria mais tempo com você - disse pensando alto.
Ele sorriu e me abraço. - Eu também.
- Boa viagem. E juízo viu mocinho?!
- Sim senhora - ele riu de novo.
Nos soltamos do abraço e ele segurou meu rosto com as duas mãos e depositou um selinho demorado que se prolongou para um beijo de despedida. Paramos o beijo quando escutamos o som de buzina de carro.
- Então - ele fez bico - Tchau né.
- Tchau. - sorri sem mostrar os dentes, tentando não deixar estampado a decepção por não poder ficar mais tempo com ele. Tá ai mais uma coisa que não consigo entender como me deixei levar... seria sempre assim, ele indo e eu ficando. Nos vendo uma vez ou outra quando ele conseguia uma folga. Que loucura!
- Vai se não você vai atrasar. - empurrei ele para fora antes que eu grudasse nele e não soltava nunca mais.
- Que delicada. - ele riu. LUCAS, JÁ PENSOU EM GRAVAR SUA RISADA PARA TOCAR EM TODAS AS RÁDIOS?!
- Beijo, me liga - pisquei enquanto ele se afastava de mim.
- Todo dia. - ele piscou de volta.
Então, ele se foi mais uma vez, sem dia, hora ou previsão para voltar aos meus braços, me deixando totalmente perdida, como se parte de mim tivesse entrado naquele carro com ele.
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
CAPÍTULO 25
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continua
ResponderExcluirtá perfeitooooooooo
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