quinta-feira, 7 de agosto de 2014

CAPÍTULO 24

Fiquei ali, observando a festa (de novo) até que sinto alguém me abraçar por trás.
- Se não fosse seu perfume, eu iria gritar. - sorri.
Ele riu no meu ouvido e me virou, me deixando de frente para ele.
- Vem, vamos. - ele segurou minha mão e me puxou.
- Lucas, a saída é por lá. - digo apontado para o lado oposto de onde estávamos indo.
- Vamos pela saída dos funcionários, não to afim de dar entrevista para ninguém lá fora.
- Tá - concordei enquanto ele ainda me puxava.
Lucas entrou numa cozinha, onde tinha pessoas andando de um lado para outro, garçons, cozinheiro e todo tipo de pessoa que trabalha por trás de um grande evento.
- Hey, vocês não pode entrar aqui - Um homem com a barba grisalha, que usava um avental e uma touca disse para nós.
- Desculpe, eu só quero saber onde é a saída.
- Ora, a saída é do outro lado.
- Não moço, a saída dos funcionários.
- Porque? - ele arqueou uma das sombrancelhas.
- Porque sim. Dá para o senhor fazer essa gentileza? -Lucas disse com firmeza. Segurei o riso e acho que ele percebeu porque apertou minha mão.
- Ok. - o cara se "rendeu" - Naquela porta, a direita.
- Valeu - Lucas passou por ele e deu um beijo no rosto do homem.
Não resisti e comecei a rir.
- Você vem ou não? - Lucas disse já um pouco a frente de mim.
- Ah - parei a risada - To indo - andei depressa.
- Bom, meu carro está do outro lado, então vamos ter que ir de táxi. - ele sorriu.
- Você que manda - sorri em resposta.
Lucas abriu a porta e saímos no fundo do buffet.
- Aonde vamos? Os táxis só passa lá na frente - digo apontando para uma pequena avenida. Porém, para chegar lá teria grande chance de algum fotógrafo nos ver.
- Tira o salto - Lucas disse olhando para os meus pés.
- Pra que?
- Para casos de emergência. - ele piscou - Olha, vamos passar disfarçadamente ok? Como quem não quer nada e tudo mais.
- Meu Deus, to me sentindo uma fugitiva.
- E quem disse que não somos? Agora vem.
Ele entrelaçou nossos dedos e começamos a caminhar com a cabeça baixa. A medida que nos aproximamos do ponto onde daria para notar a gente, aumentavamos mais a velocidade dos passos. Mas algo deu errado. Só escutamos um "É O LUCCO" e disparamos a correr. Eu não sabia se me concentrava em não cair, correr muito rápido ou não rir. Eu já estava ficando sem ar, tanto pela corrida e pelas risadas. Lucas me puxava e ria pior que uma criança.
- Obrigado Deus - Lucas disse apontando para um táxi que por ironia do destino tava passando. Ele então assovio e o motorista parou. Lucas abriu a porta para mim, entrei e logo em seguida ele fez o mesmo. Olhei pela janela e tinha uns 10 fotógrafos mais ou menos correndo. Mas assim que entramos no táxi, eles desistiram.
- Socorro - disse me virando pro Lucas. Nos olhamos e começamos a rir de novo.
- Já vejo em todos os jornais "Lucas Lucco foge de fotógrafos com loira misteriosa" - risos.
- Misteriosa não, porque eles fotografaram na hora que chegamos.
- Vão querer saber até a cor da sua calcinha, se prepara.
- Ai meu Deus - senti meu rosto corar imaginando a situação.
- Relaxa, isso faz parte - ele me puxou para mais perto e eu deitei em seu ombro entrelaçando nossos dedos.
- Para onde vocês vão? - o motorista perguntou olhando para nós através do retrovisor.
- Minha casa - então passei o endereço. Um silêncio se prolongou ali naquele carro.
- Você é maluco - ri baixo lembrando de tudo oque passamos minutos atrás.
- Já me falaram isso - ele riu. - Mas, não concordo.
- Não?! - o olhei fingindo estar chocada. - Esqueceu o que você aprontou minutos atrás?
- Que nós aprontamos. - ele deu um selinho rápido em mim e eu sorri - Você não existe sabia?
- Sabia. Um anjo raro assim é difícil de se encontrar - digo me gabando e ainda por cima joguei o cabelo pro lado.
- Ai que arraso amiga - Lucas afinou a voz e fez um biquinho.
- Não, Lucas não - ri.
- Parei, sou macho.
- Aham, tá - disse rindo e voltei a encostar em seu ombro.
- Chegamos! - o motorista nos avisou. Voamos ate minha casa? Nossa.
Descemos do táxi e o Lucas quis pagar a corrida. Assim que estávamos nos afastando o motorista nos chamou.
- Você disse que algo sobre o Luca Luca... é você? - ele disse e eu ri da forma que ele chamou o Lucas.
- Sim, sou eu mesmo - ele sorriu.
- Será que... será que você pode dar um autografo para mim levar para minha filha? Ela é muito sua fã, não aguento mais ela falando de voz - ele riu, uma risada tão agradável.
- Claro - Lucas se aproximou do carro e fez o autógrafo. Eles trocaram mais algumas palavras mas não entendi.
Então o táxi se foi.
Caminhamos silenciosamente para dentro de casa. Creio eu que Thamires não estava porque não encontrei nenhum vestígio dela jogado pela casa.
Joguei meu sapato do lado da porta, peguei um elástico que estava dentro da minha bolsa e fiz um rabo já me jogando no sofá.
- Olha, deu para cansar viu. - ri.
- Pois é. - Lucas sentou do meu lado.
- Você vai dormir aqui né?
- Hummmmm, danadinha.
- Lucas! - bati em sua perna e ri - Dormir, deita na cama, virar para o lado e sonhar.
- Ah, não gostei.
- A porta é a serventia da casa viu?
- Credo ou. - ele riu.
- Vem vou arrumar sua cama. - levantei do sofá e puxei ele para a escada. Ele levantou e me abraçou por trás. Caminhamos assim até o pé da escada, depois nos soltamos.
- Fica a vontade - digo abrindo a porta do meu quarto. - Já volto.
Fui no quarto da Thamires e realmente ela não estava lá. Me abaixei para pegar um colchão de solteiro que tinha embaixo da cama dela. Sim, eu estava MUITO insegura e para deixar claro a situação, acho que um colchão de solteiro resolveria.
Voltei para o meu quarto e não acreditei no que meus olhos enxergavam.
Lucas sentado na cama, sem camisa, sem calça, sem tênis, apenas de samba-canção.
- Broxei - digo rindo da roupa dele.
- Tá de brincadeira? Coisa mais maravilhosa que inventaram. - então ele puxou o edredom da minha cama e se enfiou em baixo dele. - Cama boa viu?
- Boa mas você não vai dormir ai.
- O quê? - ele levantou a cabeça. Só então ele reparou o colchão que estava atrás de mim. - Ah não. Por favor. - ele sentou na cama e juntou as mãos. - Eu não vou fazer nada demais, prometo. Sou gay, nem gosto dessa fruta ai. - ele disse dando de ombros.
- Você o que? - ri.
- Não, nada - ele riu.
Coloquei o colchão no chão e sentei na cama.
- Lucas, eu...
- Shiii, tá tudo bem. Eu não vou fazer nada. Só vou dormir. Deitar na cama, virar pro lado e sonhar. - ele repetiu o que eu disse.
- Tudo bem. - cedi. Eu confio nele. - Vou tirar essa roupa.
Fui para o banheiro e vesti meu pijama rosa bebê de seda.
Saí do banheiro e Lucas estava virado para o outro lado. Encostei a porta do quarto, apaguei as luzes e deitei. Segundos depois Lucas me envolveu por trás.
- Não tenho beijo de boa noite? -  Ele sussurou em meu ouvido. Assim não dá né colega!
Me virei, ficando de frente para ele. Aproximei nossos labios e nos beijamos. Terminamos o beijo com vários selinhos.
- Boa noite princesa.
- Boa noite - sorri e me virei ficando de costas para ele.
Lucas me abraçou, fazendo nossos corpos colarem... e olha, fazia muito tempo que eu não dormia tão bem igual dormi essa noite.

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