quinta-feira, 3 de julho de 2014

CAPÍTULO 19

Meu corpo não me pertencia mais e minha mente já não funcionava. Lucas passou sua língua em meus lábios para eu dar passagem para o beijo realmente acontecer e assim fiz. Desde pequena minha mãe me ensinou a fazer o que eu tenho vontade, sem pensar no depois ou no que isso pode me causar, e no momento eu queria, ah como eu queria que esse beijo acontece! Nossas línguas tinha uma perfeita sintonia, como se fossemos feito um para o outro. Lucas colocou sua mão na minha nuca, dando leve puxões enquanto a outra segurava firme eu minha cintura. Passei meu braços pelo seu pescoço, trazendo-o para mais perto de mim. Sabe aqueles beijos de novela que tira o fôlego só de olhar? Pois então, era esse beijo.
- Tem pipoca pra mim comer enquanto eu assisto essa cena romântica? - escutei uma voz e sem pensar, empurrei o Lucas.
Olhei em direção da voz e vi Gabriella parada com os olhos semi-serrados, um sorriso sínico nos lábios enquanto suas mãos estavam posicionadas na cintura.
- Ou seria uma cena de filme porno? - sua expressão mudou, sua boca ficou numa linha reta e ela levantou uma das sombrancelhas.
- O que você tá fazendo aqui? - Lucas disse.
- A Clara me deixou ficar aqui por um tempo. - ela deu de ombros. - Mas tudo bem, não vou atrapalhar mais o casal 20 - ela sorriu e foi em direção a escada, subiu um degrau e voltou a me olhar. -Ah! Cuidado viu?! Esse aí tem uma lista enorme e pelo jeito já tem um nome novo nela. Justo você Clara, tadinha. - ela debochou.
- CALA BOCA - Lucas disse alterado - Você não sabe de nada garota.
- NÃO? TEM CERTEZA QUE EU NÃO SEI? POSSO CONTAR PRA ELA ENTÃO? - ela tava gritando.
- Você tá delirando!
- Não era isso que você falava pra mim. - ela sorriu.
- CHEGA - agora quem gritou fui eu - Quer saber, você pega as suas coisas e some da minha frente, some da minha casa! Eu não tenho culpa de você não ter um amor correspondido, e aquela aparência de menina boa era só uma máscara né?! Ah, sobre minha vida, pode deixar que sou bem grandinha então eu cuido dela. - só percebi que tava andando em direção a ela quando o Lucas segurou meus braços.
- Tudo bem - ela riu e subiu as escadas sumindo da minha visão.
Minha cabeça tava martelando e um nó enorme se formou na minha garganta. Me soltei do Lucas e corri pra área do fundo, não queria que ninguém me visse chorando, pois a última coisa que eu precisava agora era gente com dó. Mas eu me enganei, eu só tinha vontade de chorar, mas não tinha lágrimas. Acho que a confusão era tão grande dentro de mim que eu não sabia o que pensar ou como agir.
Senti Lucas me envolver por traz, me colocando em um abraço aconchegante.
- Clara... - ele sussurrou.
Não respondi, apenas fiquei imóvel. Escutei um barulho de porta batendo então voltei pra sala e assim que cheguei lá, vi pela janela ela indo embora dentro de um táxi.
- Ela já foi - ele disse e eu concordei.
- Lucas - me virei para ele que estava escostado no sofá. - Me deixa sozinha - suspirei para não deixar minha voz falhar - por favor.
- Clara, você sabe que tudo o que ela disse...
- Lucas! - o interrompi. - Hoje não. Outra hora a gente conversa, eu só preciso, eu quero ficar sozinha - disse e fechei meus olhos com força.
Senti ele se aproximar de mim e logo em seguida suas mãos seguraram meu rosto e ele depositou um beijo demorado em minha testa.
- Você é mais importante do que imagina - ele sussurrou no meio do beijo. Senti ele se afastar e minutos depois a porta se fechar.
Sentei ali no chão mesmo aonde eu estava e só então as lágrimas veio. Chorei, sem saber muito bem o motivo, eu só... chorei. Eu só sabia que não era pela louca da Gabriella e muito menos pelo Lucas, eu chorei por causa de mim mesma, por eu não saber como lidar com isso tudo, por eu não saber o que realmente estou sentindo Depois de um bom tempo ali, juntei minhas forças que estavam espalhadas pelo chão da sala e fui fechar a casa. Fiz isso e fui tomar um banho quente. Lavei meu corpo e tive a sensação que lavei a alma também. Saí do banho depois de meia hora, fiz minha higiene, coloquei meu pijama e deitei na cama. Pensamentos e mais pensamentos surgiram.
Talvez mamãe estivesse errada. Não podemos fazer as coisas do jeito que queremos. Toda ação gera uma reação, e às vezes essa reação pode machucar muito, então não podemos fazer as coisas cegamente. Dormi em meio aos pensamentos que me torturavam.
Acordei no dia seguinte com meu celular tocando. Hoje é dia de trabalhar, mas cadê a animação? Acho que perdi ela em algum lugar. Levantei da cama e fui pro banheiro. Coloquei qualquer roupa mais ou menos que vi na frente, porque 1- estou atrasada 2- a ultima coisa que quero fazer é ficar me arrumando, e sobre minha cara? Só meu óculos mesmo. A sorte é que meu cabelo acordou de bem comigo então apenas deixei ele solto. Desci as escadas e já avistei a Bre mas como sempre eu estava atrasada.
- Bom dia - sorri e fui cumprimentá-la.
- Bom dia meu amor - ela sorriu gentilmente. - Atrasada de novo?
- De novo! - ri. - to indo já, beijo beijo.
- Tchau, vai com Deus e cuidado - ela disse num tom autoritário de mãe e na boa, amo essa proteção dela.
Por milagre divino cheguei na hora no ateliê.
- Bom dia - cumprimentei as meninas que estavam na porta e entrei.
- Oiiii - Sarah chegou com um sorriso de orelha a orelha.
- Credo, como se consegue ter tanta disposição a essa hora?
- Acordei feliz. - ela mostrou a língua e foi guardar a bolsa dela.
- O que eu não to sabendo? - ri.
- Amiga eu nem te conto, nem te conto, nem te conto - ela cantarolou e eu ri.
- Ah mas você conta sim. Desembucha.
- Ontem depois que você saiu com o Lucas - ela parou e me encarou - EPA, ACHO QUE VOCÊ TAMBÉM VAI TER QUE ME CONTAR AS COISAS. - por um instante lembrei da noite passada e neu coração acelerou ao lembrar do beijo
- Termina de contar logo ou.
- disse pra ela enquanto mexia nos tecidos.
- Tá. Então, depois que você foi embora, você não vai adivinhar quem me ligou e me chamou pra jantar - ela disse fazendo maior suspense.
- Sou a mãe dinah não ou, fala logo.
- O Andre. - ela sorriu.
- MENTIRA? AQUELE QUE VOCÊ É GAMADONA DESDE A FACULDADE?
- Nossa, acho que ninguém ouviu, quer um microfone? - ela fez cara de tédio e depois riu - Ele mesmo.
- E aí?
- E ai o que? - ela tentou se passar de desentendida.
Revirei os olhos em resposta do óbvio.
- Não rolou nada, a gente só foi jantar mesmo. Foi mega romântico - ela bateu palmas de alegria.
- Que seja ele, amém - falei imitando ela igual aquele dia em casa e ela riu.
- Amém.
Agora comecei a trabalhar para valer, como sempre, aquele corre corre.
- Pensa que eu esqueci? Você vai me contar tudinho de ontem - Sarah surgiu do nada sussurrando isso no meu ouvido.
- Tá - ri.
Continuamos a fazer o que tinha que ser feito, depois do serviço ela e a Iza iam pra casa, eu queria contar tudo para as duas, inclusive pra Iza.

4 comentários:

  1. Posta logo linda ... estou amando !!! posso compartilhar em grupos ?

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    1. Obrigado amor ♥♥♥ Pode sim, pode compartilhar aonde você quiser (:

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  2. AAAAAI que mara , to apaixonada

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