- MÃE, VEM AQUI - a voz gritou novamente.
Dona Karina pediu licença e subiu as escadas. Peguei meu celular e fiquei mexendo, aquilo ali tava muito chato e eu to com sede.
- Mãe, quero água. - sussurrei pra mamãe que estava sentada do meu lado.
- An, desculpa mas, tem água? Clarinha tá com sede e tá com vergonha de pedir.
Ótimo mãe, se fosse assim eu mesmo teria pedido.
- Ah, pode ir na cozinha pegar. Como disse, sinta-se em casa.
Ufa, um refugiu. Levantei mais que depressa e fui pra cozinha. Tinha um filtro de água no balcão e uns copos do lado. Enchi o copo de água gelada e voltei pra sala. Na verdade não cheguei na sala, pois trombei com alguém derrubando a água na roupa da pessoa. A agua fez a camisa colar na barriga e ok, aquilo não se denominava barriga e sim um tanque de lavar até edredom. Olhei para cima e na boa, to delirando.
- Você - ele disse rindo
- O-oque? - disse totalmente fora de mim. Só podia ser sacanagem.
- Agora você que tá me devendo uma camisa - ele riu e foi em direção da cozinha me deixando paralisada ali, sem entender oque acabou de acontecer. ,
Voltei para a sala com uma certa dificuldade, sentei no sofá perdida em pensamentos.
Como isso? Não, não é possível. Estou delirando.
- Filha - escutei mamãe me chamar e parece que não foi a primeira vez que ele me chama pois estavam todos me olhando, inclusive um menino sentado na poltrona de frente comigo, com uma camisa social branca aberta até altura do peitoral. - Esse aqui é o Leandro, filho mais novo da Karina e do Paulo.
- Oi. - ele levantou e estendeu a mão. Demorei pra processar a informação e depois retribui.
- Prazer, Clara - tentei sorrir para parecer normal, mas depois de tanta viagem pra lua acho que não rolou.
- Lucas! - Karina olhou assustada em direção da escada e todos olharam também. Por instinto acabei me virando. Sim, era ele.
- Ah, desculpe. É que derrubei água na minha camisa, vou trocar e já volto. - ele olhou pra mim e sorriu.
Essa é a parte que eu xingo mentalmente. Eu morri? Porque na boa, aquele homem sem camisa, me encarando daquela forma com um sorriso no rosto, só pode ser o paraíso.
Voltei pro mundo e peguei meu celular pra mandar mensagem pra Sarah e pra Iza.
"Vocês não vão acreditar em quem eu acabei de trombar, derrubando água na roupa..." mandei para as duas que responderam em menos de um minuto.
"Quem?" - Sarah
"Pq não fala logo de uma vez?" - Iza
" Lucas..."
" OQUEEEEE?!?!??!?!?!??!" Sarah
" KKKKKKKKKKKKKK SÉRIO? É DEUS MIGA" Iza
Comecei a rir devido o exagero delas.
- Oi - senti alguém sentar do meu lado fazendo meu corpo arrepiar. Eu sabia que era ele só pela voz.
- Oi - respondi sem olhar para ele.
- Você é a Clara né?
- Sim - sorri sem mostrar os dentes.
- Acho que temos que prestar atenção por onde andamos - ele sussurou e eu não aguentei e ri.
- Prometo te dar outra camisa. - o olhei.
- Não precisa, foi só agua - ele deu de ombros.
- Já que insiste. - sorri.
- Bom, então vamos pra mesa? - Dona Karina ficou de pé e foi em direção da mesa de jantar, onde todos a seguiram.
Meu pai + Lucas + Leandro = eu passando mal de tanto rir.
Depois do jantar fomos pro jardim no fundo da casa do Lucas, sentamos numa roda e conversa vai, conversa vem, até que mamãe disse que estava na hora de irmos. Acho que vou pedir abrigo pra Tia Karina. Ah qualé, Dona Karina soa como se ela fosse uma idosa e ela mesmo pediu pra chamar ela de tia, então...
Papai e mamãe se despediram de todos e fiz o mesmo. Quando eles estavam indo para a porta, senti o Lucas me puxar pelo braço fazendo nossos corpos se chocarem contra o outro.
Começamos a rir e nos afastamos.
- Tá difícil viu?! - disse rindo.
- Pois é - ele sorriu e coçou a nuca - Me passa seu número. Quer dizer, você vai ficar 3 dias aí né?
- Quatro - o corrigi.
- Isso, quatro. Então, aí combinamos de fazer algo.
Ri - Você já tem meu número. - levantei uma das sombrancelhas e cruzei os braços.
- an?
- Aquele dia, na casa do Sorocaba. - ele ainda me olhava meio confuso - a Iza te passou meu número.
Ele riu - Ata. Mas não, eu perdi. Meu celular tinha acabado a bateria e eu anotei num papel e bom, digamos que eu não sei onde eu coloquei ele. - ele riu sem graça. Me beija logo!!!!!
- Então não foi você que mandou mensagem e ficou me ligando toda noite? - disse sem pensar
- Eu? - ele gargalhou - Não cara, como disse... perdi seu número. - e é nessa hora que eu saio correndo e me escondo num buraco. Que anta, porque pensei que seria ele?!
- Ah - consegui responder apenas isso. Ele ficou me encarando com as sombrancelhas erguidas e só então me toquei. - Anota aí - disse por fim e ele anotou o número do celular dele e eu anotei o dele no meu.
- Vamos filha - escutei mamãe chamar na sala.
- Vou nessa, tchau - sorri e saí enquanto ouvi ele responder
- Até mais.
Cheguei na sala, me despedi do Leandro que fez questão de bagunçar meu cabelo. Oh glória que não tenho irmão mais novo.
- Jeová, mas já tá me amando assim? - rimos.
- Pra falar a verdade, você é bem nojentinha, mas é aturável.
- Quanta calúnia! - o olhei incrédulo.
- Tchau - mostrei a língua pra ele saí.
Mamãe e papai já estavam na frente então corri um pouquinho para alcançar eles.
Cheguei em casa e fui tomar um banho, dá onde saiu esse calor? Coloquei meu pijama e me joguei na cama, olhei meu celular e tinha umas 15 mensagens das loucas de São Paulo. Não respondi, amanhã ligo pra elas e conto tudo. Apaguei o abajur e zzzZZ.
segunda-feira, 16 de junho de 2014
CAPÍTULO 6
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Tô amando,já pode continuar kkk.
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