Só conseguia sentir nojo. Sim, isso que sentia ao ver aquele homem sorrindo sinicamente em minha direção.
Juntei minhas forças que deviam estar esparramadas por ali e me levantei. Peguei a garrafinha e fui empurrando a bicicleta porque levantar já foi um bom começo, agora arriscar montar na bicicleta já era demais.
- Ei Clarinha, espera ai - escutei a voz dele mais perto do que devia. Por instinto olhei para trás e ele vinha correndo. O Pedro usava uma bermuda branca, uma camisa polo azul e sapatenis.
- Não vai esperar? - ele disse.
- O que você quer? - disse sem olhar para trás, porém parada.
- Quero falar com você ué. Aquele dia na boate nem deu tempo de nos despedir.
- Não me lembre daquele dia! - rosnei mais para mim do que para ele.
- Porque não? Eu gostei, você gostou... - agora ele entrou na minha frente.
- Cala a boca! - o encarei de uma forma que parecesse que iria sair visão lazer dos meus olhos.
- Ok. - ele sorriu mais ainda. Filha da puta!
- Licença, tenho mais coisas para fazer! - desviei dele para seguir caminho mas o vigarista segurou meu braço.
- Ei calma ai, eu não vou te morder. Ah, só se você quiser, é claro.
- Me solta! - rosnei puxando meu braço.
- Veio pra morar aqui de novo? Ou continua em São Paulo? - ele continuou me seguindo. Não respondi. - Tudo bem...
Minha vontade era de subir naquela bicicleta e pedalar o mais rápido possível. Mas com a ânsia que eu estava sentindo não iria permitir isso. Comecei a caminhar mais rápido e ele foi diminuído.
- Qualquer dia eu te visito em São Paulo. Ah, gostou das flores?
Gelei.
- O-oque?
- As flores, te mandei a uns dias atrás. E eu sei que você recebeu porque eu mesmo fui com o entregador deixar na sua casa. Bom, de nada! - ele sorriu abrindo os braços.
- O que você quer comigo? Já não basta tudo o que me causou? - senti o nó se formar na minha garganta, mas consigo engoli-lo
- Eu sei, por isso mandei as flores, eu mudei Clara, eu juro que mudei! E eu só queria pedir desculpas - seus labios que antes estavam mostrando seus dentes se transformou em uma linha reta.
- E acha que isso basta? Eu devia é te denunciar cara! - gritei.
- Você não faria isso. Até porque você não tem provas - ele riu ironicamente.
- Se aproxime de novo e eu não responderei por mim! - voltei a andar, mas dessa vez ele ficou parado me observando afastar. - E ah, da onde você tirou que não tenho provas? - eu estava blefando, é claro. Mas funcionou. Seu rosto se transformou, vi até um certo desespero aparecer ali. Sorri, com tamanha irônica e feliz por ter deixado ele longe de mim.
Minha casa parece que era em outra cidade, porque nunca que chegava nela. Assim que avistei ela, soltei todo ar dos meus pulmões, como se eu tivesse sem respirar o caminho todo. Guardei a bicicleta e entrei em casa dando graças a Deus por não encontrar ninguém na sala. Entrei no meu quarto já tirando a roupa, deixando um rastro pelo caminho. Liguei o chuveiro o mais quente possível, entrei no banho sentindo minha pele arder por causa da água quente. No começo foi bom, mas depois começou queimar muito então fui obrigada a esfriar um pouco a água. Sentei no chão, enquanto a água morna escorria pelas minhas costas. Só percebi que estava chorando quando saiu uns soluços involuntários de mim.
As lembranças daquela noite com o Pedro foi se tornando mais real do que devia. Eu lembrava de tudo, cada detalhe.
Acho que se tivesse prêmio de garota mais idiota e iludida do mundo, eu com certeza ganharia. Eu acreditei que aquela noite seria mais uma noite perfeita. Acreditei que ele iria cuidar de mim, que fosse fazer daquilo único e inesquecível, como se fosse a primeira vez. Bom, de certa forma foi único e inesquecível. Pedro estava com cheiro de vodka, mas ele ainda estava são. Ele me olhava parecendo um urso que não se alimentava por um bom tempo. Ao contrário do que imaginei, ele foi um estúpido. Aquele cara que estava segurando minhas pernas com tamanha força que estava machucando, não era pelo qual eu tinha me apaixonado. Pedi para ele parar, mas ele não me ouviu. Continou a me beijar (forçando cada vez mais), seu corpo sobre o meu não me permitia fazer nada já que suas mãos que antes apertavam minhas pernas, estavam segurando meus braços para cima da minha cabeça. Ele não parava, eu gritei, chorei, esperniei. Não era para ser daquele jeito... mas nada adiantou. Depois de rasgar minhas roupas me deixando nua, ele parou e me olhou com um sorriso do tipo "não adianta, estamos sozinhos e hoje você vai ser minha". E assim foi. Aliás, o que poderia fazer? Já tinha gritado tudo o que conseguia, chorado tudo o que meu corpo permitiu. Na hora que ele me penetrou, a sensação de enjôo tomou conta de mim. Sério, foi horrível. Doía demais, não ele me penetrando e sim meu coração. Depois dele me mandar cala boca, me chamando de mimada e acredite, até de vagabunda de quinta, eu parei de lutar. Parei de protestar, de chorar, de tentar fazer alguma coisa. Eu parecia uma boneca naquela cama, sendo conduzida por um psicopata. Só tive alguma reação quando depois que ele terminou de fazer tudo o que queria com meu corpo, ele foi tomar um banho. Juntei minhas coisas e saí dali. Não lembro onde fui, nem quem me encontrou, só lembro de estar acordada em casa. E o pior de tudo é que no fim, ele só esteve comigo por uma aposta.
Depois de me despertar daquelas lembranças, terminei meu banho e saí enrolada na toalha. Coloquei um vestido solto com um cintinho marcando a cintura, uma sandália melissa, penteei meus cabelos e resolvi arrumar a bagunça do quarto que consegui fazer em um dia e meio. Ajeitei minha mini mala e desci. Fiquei jogada no sofá até ouvir a porta da sala se abrir:
já quero maais! <3
ResponderExcluirContinua
ResponderExcluircontinua
ResponderExcluirleitora nova
Continuaaa!
ResponderExcluirEstou ansiosa para mais capítulos! Leitora nova. Beijos
ResponderExcluirContinua!!!!!!!!!!!!!!!!!
ResponderExcluirContinuaaaaaaa ❤❤❤
ResponderExcluircontinua um mes na curiosidade
ResponderExcluirContinuaaaaa, comecei ontem a noite e passei a madrugada inteira lendo, postaaaa logo
ResponderExcluirCoontinuaaa
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