domingo, 29 de junho de 2014

CAPÍTULO 15

Depois de 20 minutos, a campainha tocou. Não sei se era a comida ou o Lucas. Levantei meio tropeçando porque tinha uma infestação de meninas no chão e fui pra porta.
- Oi - Lucas sorriu assim que abri a porta.
- Oi, entra - dei passagem para ele. Quando passou por mim, deu um beijo estalado em minha bochecha, logo em seguida o Lê.
- Oi mala - ri.
- Já? - ele me encarou levantando as sombrancelhas.
- Já o que garoto?
- Nem entrei pra dentro e tá me amando assim?!
- Cala boca e vem - ri.
Fechei a porta e voltei pro sofá. Lucas já tava esparramado na poltrona e o Leandro sentado todo certinho, tímido.
- Claraaaaaaa - escutei a Bella me chamar da cozinha.
- To indo - Levantei e fui ver o que ela queria.
- Ajuda eu levar os copos? - ela pediu enquanto segurava cinco copos. Alguém fala pra ela que ela só tem duas mãos por favor.
- Ajudo - ri. Peguei os copos e fui colocar na mesa de jantar. Tava distraída olhando eles conversar quando levo um susto com o barulho de copo quebrando. Todos fizeram silêncio e olharam pra Bella ns mesma hora. Ela estava com os olhos arregalados, parada como uma estátua, seu olhar era fixo no Lucas.
- Bella, se tá bem?
Ela não me respondeu. Me aproximei dela e a lesada aqui esqueceu que estava descalça e pisou num caco.
- Ai! - gritei já sentindo sair sangue do meu pé. - Merda! - disse olhando pro chão e vendo o que senti.
- Clara, desculpa e-eu
- Tudo bem. - disse curta e grossa. Não no sentindo de ser ignorante com ela e sim comigo mesma. - Alguém pega um pano, qualquer coisa - disse puxando uma cadeira da mesa pra sentar.
Iza correu pra cozinha e a Sarah foi ajudar a Bella a juntar os cacos.
- Cortou muito? - Lucas disse se abaixando para ficar mais ou menos na minha altura.
- Não, eu acho.
- To - Iza chegou me estendendo um pano. Limpei primeiro um pouco do sangue e depois apertei para parar de sangrar.
- Obrigada. Vou ter que lavar pra fazer curativo. - disse me levantando.
- Eu te ajudo. - Lucas pegou na minha cintura e me ajudou a subir as escadas.
- Pra onde?
- Segunda porta.
Ele me levou até lá e fui sozinha pro banheiro.
Lavei o corte, quase chorando porque né?!
Voltei pro quarto e o Lucas ainda estava lá
- NÃO DEMORA PORQUE A COMIDA TÁ ESFRIANDO. - escutei alguém gritar lá de baixo.
- Já vou - respondi. - Faz favor? - Olhei pro Lucas
- Diga.
- No quartinho do lado tem uma caixa de primeiros socorros. Tá bem debaixo das prateleiras. Pega pra mim? - fiz bico e ele foi.
Nem sentei na cama direito e ele já voltou com a caixa branca. Ele se ajoelhou e abriu a caixa pegando os esparadrapos e uma faixa. Lucas segurou meu pé com delicadeza, porém a dor já tinha diminuído. Ele fez o curativo e eu agradeci enquanto voltavamos pra sala.
- Deu fratura exposta? Pela demora deve ter sido grave.
- Leandro não é ave Maria mais é cheia de graça.
- Fica quieto garoto - Sarah respondeu rindo. Obrigada amiga.
- Ué, cadê a Gabriella? - disse vendo todos ali, menos ela.
- Subiu. Disse que não estava bem. - Iza deu de ombros
- Tá né - ri e me sentei.
Comemos, tipo, muito messsssmo! Depois Lucas pegou o violão dele que ele tinha trazido e fizemos uma roda, ficamos horas ali cantando e brincando.
Quando percebemos já era mais de 1 hora da manhã.
- Carai, tenho que ir embora - Lucas falou se levantando.
- Oloco Lucas - Leandro abriu os braços.
- Tá cedo - modo de falar, claro.
- Tenho compromisso amanhã. - ele fez bico.
- Também vamos nessa. Tchau lerdeza - Sarah beijou meu rosto e foi pegar sua bolsa na sala.
- Tchau ami. Qualquer coisa me liga. - Iza disse se referindo ao meu pé e a Gabriella que não desceu mais.
- Podeixa - sorri e levantei.
Levei elas na porta e depois voltei pra direção dos meninos.
- Vamos pirralho. - Lucas deu um pedala na cabeça do Leandro que ficou resmugando. Nos despedimos e ele foi pro carro.
- Vai ficar aqui até quando? - perguntei pro Lucas, que já estava do lado de fora da porta.
- Não tenho certeza, mas parece que o show de amanhã foi cancelado. Então, mais um dia - ele sorriu.
- Que bom - sorri. - Ah, me desculpe pela Gabriella, juro que não entendi a reação dela.
- Mas eu entendi - ele disse, porém pareceu mais um "pensamento alto" do que uma resposta.
- An?
- Ah, nada. Tá tudo bem. - Ele se aproximou de mim. Coração, porque você acelerou do nada?
Lucas segurou meu rosto com as duas mãos e por um instante pensei que ele iria me beijar, porém ele apenas beijou minha testa. - Boa noite, se cuida.
- Você também. - sorri vendo ele se afastar.
Depois deles ter partido, fechei a casa, apaguei as luzes e subi pro meu quarto, mas antes resolvi passar no da Bella.
- Oi, tá acordada? - disse abrindo uma frecha da porta.
- To. Pode entrar - ela disse seca.
Caminhei mancando e sentei do lado dela na cama.
- Oque foi aquilo? - disse me referindo ao copo, o espanto e depois dela ter subido.
- Não quero falar disso agora. É uma longa história. - ela suspirou fundo.
- To sem sono - dei de ombros.
- Quer saber mesmo? Tem certeza? Acho que você não vai gostar. - ela me encarou, seus olhos me desafiaram de uma forma, que se eu não souber o que tá acontecendo eu morro.
- Fala logo!
- Eu e o Lucas já ficamos. Mais do que isso, a gente já transou e não foi uma nem duas vezes.

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