domingo, 22 de junho de 2014

CAPÍTULO 10

Entrei em casa e fui direto tomar banho. Coloquei um shorts de malha preto e uma blusinha amarela de ombro caído, minhas eternas havaiana, celular e desci.
Mamãe estava na cozinha preparando o almoço, resolvi ficar de boa no sofá. Mandei uma mensagem pra Thami mas quem disse que ela deu sinal de vida? Noite longa viu!
Acabei cochilando no sofá, sendo acordada pela mamãe dizendo que o almoço estava pronto.
- Hmmmm - disse sentando na mesa.
- Fiz strogonoff. - ela sorriu.
- Hastag partiu engordar - ela riu enquanto em atacava a comida.
Ainda depois teve sobremesa e adivinha? Pudim! Depois que eu sair rolando por aí vocês vão saber o porque.
Terminamos de comer e fui lavar louça. Depois de limpar tudo a cozinha, subi pro meu quarto. Fiquei a tarde pintando a unha, não ficou muito bom mas dá pro gasto. Desci e papai já tinha chegado, ficamos jogando cartas na mesinha da sala, pedimos pizza para o jantar. Depois de comer (de novo) igual uma porca me despedi deles e subi.
Acordei de madrugada escutando uns barulhos. Olhei em volta do quarto e não vi nada. De repente, surge um barulho mais forte em direção da janela. Levantei devagar, meu coração estava quase saindo pela boca. Abri um fresta da cortina e não vi nada. Abri mais um pouquinho e meu corpo gelou, travei e juro que não acreditava no que estava acontecendo.
Lucas fez um sinal pra mim descer. Abri a janela e falei quase num sussurro.
- Oque foi? - disse ainda perplexa.
- Preciso conversar.
Fechei a janela e fui verificar se meus pais estavam dormindo. Passei pelo quarto deles e sim, eles estavam. Desci as escadas na pontinha do pé e tentei abrir a porta sem fazer nenhum barulho. Assim que Lucas viu a porta se abrindo, ele sorriu e veio em minha direção.
- Nossa - ele me olhou de baixo em cima, só então lembrei que estava de pijama do bob esponja.
- Para de olhar - ri e escondi meu corpo atrás da porta. - O que você quer?
- Conversar, já disse - ele fez bico. - To com insônia.
- Isso não dá o direito de você vir me despertar do meu sono de beleza. - ele riu.
- Você não precisa disso.
Então um silêncio ensurdecedor de meio minuto surgiu. 
- Posso te levar num lugar? - ele me olhou com uma cara de cachorrinho sem dono.
- A essa hora?
- Sim.
- E como vou saber se você não vai querer abusar de mim e depois ligar pedindo recompensa pros meus pais? - acho que to assistindo muita coisa de ação.
Lucas gargalhou.
- shiiiiiiii - disse colocando um dedo nos labios - se eles acordarem aí que não vou mesmo - fiz cara de tédio
- Pelo amor que eu tenho a minha familia e minhas fãs, eu prometo que não vou abusar de você - ele disse com as mãos pro alto e riu.
- Espera aí então.
Subi correndo as escadas tentando não fazer barulho. Vesti a primeira calça jeans que vi na frente, peguei meu moletom da GAP, calcei a alpargata, celular e desci.
- Pronto - sorri enquanto fechava a porta da casa. Enquanto caminhavamos em silêncio, peguei meu celular e vi às horas.
- Porra Lucas, três e meia da manhã.
- E daí? - ele disse com uma sombrancelha levantada.
- Você é louco. - ri.
- Um pouco. - ele concordou sorrindo.
Caminhamos durante uns quinze minutos até chegarmos num parque, na verdade parecia mais um campo do que um parque pois não tinha árvores no meio, só em volta.
- Porque estamos aqui? - disse sentando do lado dele no chao.
- Gosto de vir aqui pra respirar. - ele disse olhando distante. Acompanhei seu olhar e vi que dava pra ver boa parte da cidade, pois o campo era num ponto alto.
- Você tá bem? - olhei em seu rosto que não estava com uma expressão muito boa e se não fosse a mal iluminação poderia jurar que vi seus olhos marejados.
- To - ele respirou fundo - quer dizer, acho que estou, não sei.
- Quer falar?
- Sabe aquela sensação de ter tudo e todos ao seu redor e ao mesmo tempo sentir que não tem nada?! - ele disse num tom mais afirmativo do que interrogativo. - Pois é, me sinto assim. As vezes eu só queria paz, poder ficar mais com a minha família, poder dormir no meu quarto, na minha casa e não em um hotel qualquer de alguma cidade. Sinto falta de ser eu mesmo, de ser livre, de não ter tantas responsabilidades.
Ele soltou tudo de uma vez, literalmente desabafando. Percebi que ele tinha mais alguma coisa para dizer, então permaneci em silêncio.
- Mas eu paro e penso no outro lado. Nas minhas meninas - ele riu e logo em seguida tampou o rosto e chorou. Nem preciso dizer que chorei também né?! Em qualquer vida que eu pudesse ter, jamais imaginaria ver essa cena.
- Lucas... - agi por impulso e o abracei de lado.
- Eu amo elas, amo estar num palco vendo aquela multidão cantando minhas músicas. - ele limpou as lágrimas e voltou a olhar longe - Me sinto tão confuso.
Limpei minhas lágrimas e sorri.
- Entendo. Bom, boa parte, porque afinal não sou o fenômeno bombado do sertanejo - ele riu - Mas a falta da família eu sei como é. Amanhã volto pra São Paulo e tudo volta a ser como antes.
- percebi que ainda estava abraçada com ele, então me afastei delicadamente e deitei para olhar o céu. Dava pra ver tudo perfeitamente dali, longe das luzes das casas e prédios. Olhei pro lado e vi que ele deitou também.
- Obrigado - ele disse.
- Pelo que exatamente? - disse sem tirar os olhos do céu.
- Por ter me ouvido. Sou um tanto que confuso. - ele riu. Olha, se ele quiser pode rir sempre.
- Na verdade você devia agradecer por eu ter levantado da minha cama pra mim vir nesse lugar de madrugada. Mas tá valendo esse aí também. - nós dois rimos.
- OLHA, UMA ESTRELA CADENTE, FAZ UM PEDIDO LUCAS. - nem gritei de tanto entusiasmo, imagina.
- Aonde?
- Já passou né lerdo. Anda, faz o pedido.
- Sério?! - ele disse rindo.
- Sim meu, para de zoar e faz.
- Tá.
Fechei meus olhos e fiz meu pedido. Olhei pro lado e ele me encarava com meio sorriso no rosto.
- Você parece aquelas criancinhas que acreditam em duendes.
- Ah qualé, vai dizer que você nunca acreditou em estrela cadente?
- Sempre! - ele disse segurando a risada, mas quem não aguentou fui eu.
- Acho melhor voltarmos.
- Tá bem.
No caminho todo Lucas foi fazendo idiotices do tipo: fingir dançar pole-dance numa placa de sinalização. Sem contar que ele apertou a campainha de uma casa e saiu correndo. Juro que se alguém tivesse saído eu ia dedurar ele.
- Entregue sã e salva - ele disse e só então me toquei que já estava na hora de desperdir.
- Ah - disse tentando não mostrar a decepção no meu tom de voz.
- Obrigado de novo! Por tudo, de verdade.
- Por nada, já disse - sorri e fui em direção da porta. - Boa noite. - abri a porta.
- Espera - ele disse e eu voltei a olhar para ele esperando ele continuar. - Não mereço nenhum beijo de boa noite?

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