Por Deus, minha mãe bateu na porta bem na hora. Dei um pulo e fui abrir.
- Pois não.
- Avisa pro Lucas que tem gente lá em baixo esperando ele. Acho que é Hu alguma coisa.
- Hulk?
- Isso - ela riu.
- Tá bem.
Ela saiu da porta e eu voltei para cama onde o Sr. Folgado estava esparramado.
- Hulk tá ai. - digo me sentando na cama.
- Aff - ele fez a cara de tédio mais linda do mundo, sério.
Fiz um biquinho também, só para entrar no charme.
- Não faz isso que não te solto mais. - e passou do Sr Folgado para o Urso Polar.
- Ai - ri enquanto ele me virava, ficando por cima de mim.
Ficamos nos encarando por longos e maravilhosos seguntos. Aí caiu a fixa que daqui a alguns minutos ele não estaria mais na minha frente, provavelmente não nos veríamos mais esse mês. O nó na garganta foi automático, não tive como protestar. A única coisa que me restava era aproveitar aquele momento, intensamente.
Peguei em sua nuca, puxando ele mais para mim, colando de vez os nossos corpos. Lucas apoiou seu corpo na cama, para não me esmagar. Selei nossos labios, e a urgência para que o beijo acontecesse falou mais alto. Nossa língua tinha total sincronia. Por um momento queria ser um robô para não ter que parar por falta de oxigênio.
Lucas fez questão de terminar o beijo com uma mordida, seguida por inúmeros selinhos. Entre eles, Lucas falou alguma coisa no qual não entendi, mas não pedi para que repetisse. Aquilo tudo não podia acabar. Eu só queria ele, cada dia mais, mais e mais.
~ LUCAS NARRANDO ~
Aqueles segundos (que pra mim foram minutos) encarando seus olhos, foi o que faltava. Vi além de olhos castanhos, eu vi a alma, o coração pelo qual o meu bate agora.
O beijo foi único, como cada um que nós damos. Sei lá, um jeito só nosso.
- Eu acho que te amo. - digo totalmente sem fôlego e sem controle. Acho que ela não entendeu, ou sim, não sei.
~ ANA CLARA NARRANDO ~
Como sempre, a despedida foi mais difícil do que imaginava. Mas me sentia mais tranquila. Com medo, porém tranquila. Passei o resto dia paparicando mamãe. As vezes ela parava e parecia que ia para outro mundo. Peguei ela limpando as lágrimas várias vezes ao olhar o porta-retrato com uma foto da vovó. Papai também ficou com a gente de tarde. Pediu para sair mais cedo para aproveitar minha "visita" e bom, ajudar a mamãe. Ninguém estava sofrendo mais que ela, tadinha.
Os dois imploraram para que eu ficasse a semana inteira, mas não dava.
Thamires sumiu o dia todo, provavelmente foi matar saudade da tia também.
No jantar o clima estava melhor. Papai ficou fazendo gracinhas para rirmos e por aí vai. Depois, subi para meu quarto. Parecia que um caminhão tinha passado por cima de mim. Tomei um banho quente, vesti minha camisola do piupiu (eu sou apaixonada nessa camisola), fechei todas as curtidas para não ter perigo de acordar com a claridade. Assim que deitei, mandei mensagem para Thamires avisando que o vôo estava marcado para 14:00hrs amanhã. Ela disse que ok, que ia aproveitar esse tempo para ficar com a mãe dela (como disse).
Acordei no dia seguinte sozinha, acredite. Levantei pegando uma toalha e indo pro banheiro. Tomei um banho gelado, lavando meu cabelos. Saí do chuveiro enrolada na toalha e fui para o guarda roupa. Peguei um shorts jeans preto rasgado e uma blusinha de ombro caído branca. Vesti meu chinelo e fui pentear meus cabelos. Por fim acabei secando ele, deixando-o totalmente liso. Depois de estar pronta, peguei meu celular. Sim, era 8:30 da manhã. Um milagre ocorreu neste quarto, vamos glorificar. Coloquei o celular no bolso e desci para a sala. Não encontrei ninguém lá e nem na cozinha. Estranhei, mas logo avistei um bilhete colado na geladeira.
"Filha, fui com seu pai resolver uns problemas. Deixei várias coisas pra você comer no microondas. Voltamos para te levar no aero. Te amo, mãe"
Abri o microondas e tinha um banquete lá dentro: pão de queijo, pão de cereja, sonho de creme e assim vai. Por um mundo que eu possa comer e não engordar, amém.
Tomei um café reforçado. Qual é, dizem que essa é a refeição mais importe do dia, então...
Limpei a bagunça que fiz na mesa e decidi andar de bicicleta pelo condomínio. Coloquei meu tênis e meu oculos, peguei minha bicicleta que estava no quintal dos fundos, montei nela e fui ser feliz. Tava um tempo bom, sol porém bastante fresco. Passei em frente a casa do Lucas e encontrei Leandro agarrado em uma garota.
- Que isso hein! - gritei e ri.
Os dois se soltaram rapidamente e os rostos coraram de vergonha.
- Ah! É você - ele disse colocando a mão no coração em sinal de alivio.
- Podem continuar ai, não vou mais atrapalhar. - ri.
A menina, de cabelos castanhos até o meio das costas sorriu tímida.
- De boa - ele deu de ombros.
A menina limpou a garganta. - Ah, essa aqui é a Ana Clara - ele apontou pra mim - ela é a garota que meu irmão tá apaixonado, mó chatice. - ele disse um pouco baixo.
- Se fecha ou! - mostrei a lingua e nós rimos. - Prazer - acenei para ela.
- Oi, sou a Milla. - ela acenou de volta.
- Bom, vou nessa. Felicidades - mandei beijo e voltei a subir na bicicleta.
- Idem, cunhadinha.
- RA RA - fingi rir, mas logo ri de verdade. Foi bom ouvir ele me chamar assim, confesso.
Voltei a pedalar, observando tudo ao meu redor. Depois de muito andar, parei em baixo de uma árvore para descansar. Peguei a garrafinha que tinha colocado embaixo do cano e tomei tudo num único gole.
Tinha uma casa linda na minha frente, ela era cor creme e tinha 3 carros na garagem. Vi uma movimentação na janela e fiquei observando. Então um homem abriu a curtina e sorriu ao me ver. Meu coração parou de bater e a garrafinha escorregou da minha mão. Perdi todas as forças de levantar dali, assim como a voz sumiu também.
O que ele estava fazendo ali?
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
CAPÍTULO 29
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Aí meu Deus! Quem é "ele"?
ResponderExcluirPosta logo pelo amor de Deus!!!
Será que é o Lucas?Continua por favor,amo sua fic.
ResponderExcluirContinua
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