sexta-feira, 29 de agosto de 2014

CAPÍTULO 28

~ LUCAS NARRANDO ~
Eu estava dormindo quando recebi uma ligação de um número que não conhecia.
- Alô? - disse.
- Lucas?! É a Thamires, amiga da Ana Clara, lembra?!
- ãn, sim.
- Ela precisa de você. Estamos indo para Patrocínio, a vó dela acabou de falecer.
- Meu Deus - digo sentando na cama. - Cadê ela?
- Tá no quarto dela. Se você realmente se importa com ela, você precisa ir ver ela.
- Tudo bem.
- Obrigado e desculpa te acordar. Tchau.
- Tchau.
Sem pensar, levantei e vesti minha calça que estava jogada no chão do quarto. Peguei a primeira camisa que vi, meu chinelo e fui até o quarto do Alessandro.
- Ale - digo batendo na porta.
- Que foi? Bate mais, assim você vai conseguir derrubar a porta. - ele disse quando abriu a porta com a cara toda marcada, provavelmente pela cama.
- Foi mal - digo entrando no quarto.
- O que se quer?
- To indo para Patro. - digo encarando ele.
- QUÊ? Fazer o que lá? Por que?
- Eu só preciso ir.
- Lucas, não dá. Amanhã - ele olhou para o relógio que tinha do lado da cama - Hoje você tem entrevista para 3 rádios.
- Tem show? - perguntei impaciente.
- Não.
- Adianta essas entrevistas. Depois delas, eu vou pra lá. - disse já indo para a porta.
- Eu posso saber o motivo dessa pressa toda?
- A Naclara precisa de mim.
Ale começou a rir. - Se tá de brincadeira né? Lucas!
- Ou isso, ou eu vou agora mesmo pro aeroporto.
- Bem dizem suas fãs, quando você se apaixona, fica cego.
Não respondi e nem esperei ele dizer mais nada. Saí dali e fui para o meu quarto.
Ale conseguiu adiantar as coisas, mas ainda sim aquilo parecia nunca passar. Depois das 3 entrevistas feitas, corri para o hotel. Só peguei uma bolsa de costas mesmo, meu celular e fui pro aero. Eu precisava abraça-lá, mostrar para ela que tudo vai ficar bem.

Cheguei em casa e minha mãe ficou surpresa.
- Lucas?! O que houve?
- Mãe, depois a gente conversa tá?
- Mas tá tudo bem?
- Não. Quer dizer, sim, comigo sim. - digo jogando minha bolsa no sofá - Sabe se a Ana Clara tá na casa dela? 
- Eu estava lá até agora. Ela saiu. Não sei onde ela foi.
- Tá. Beijo, te amo - beijei seu rosto e saí de casa antes de ela fazer mais alguma pergunta.
Andei todo o condomínio, todo o quarteirão e nada dela. Depois, só um lugar veio na minha cabeça: o campo.
Fui para lá o mais depressa possível e lá estava ela.
Sentada no chão abraçando seus joelhos. Ao me aproximar pude escutar seus soluços.
- Por que? Por que você me tira pessoas tão maravilhosas da minha vida? - ela disse olhando para o céu. Sua voz embriagada devido ao choro.
- Ele sabe o que faz - disse por fim, olhando para a mesma direção que a dela.
- Lucas?! - ela disse me olhando. Seus olhos estavam inchados e vermelhos.
Ela levantou e correu na minha direção. A abracei, sentindo um alívio por estar ali, com ela.
~ ANA CLARA NARRANDO ~
Depois de um bom tempo soluçando em seus braços e ele me consolando, fui me acalmando.
- Como você soube? - digo enquanto sentavamos ali no gramado.
- Sua amiga. Ela me ligou.
- Ah - foi tudo o que consegui dizer. Não queria falar muito, eu só precisava de paz para ver se conseguia acalmar meu coração. Lucas me encaixou no meio das suas pernas, apoiei minha cabeça em seu peito e assim ficamos.
- Obrigado por ter vindo - sussurrei.
- Fiz o que meu coração pediu. - ele depositou um beijo no topo da minha cabeça.

Abri meus olhos e me deparei com meu quarto. Levantei a cabeça mas achei melhor não pois ela estava martelando, como se eu tivesse de uma ressaca de três garrafas de vodka.
Fiquei tentando lembrar como fui parar ali. Só me lembro do Lucas beijando minha testa e eu fechando os olhos para sentir seu toque e para tentar segurar as lágrimas que ainsa insistiam em cair.
Depois de uns dez minutos, tomei coragem e levantei. A dor ainda continuava. Vesti meus chinelos e fui para o banheiro. Achei um remédio lá e tomei. Lavei meu rosto e escovei meu dentes.
Voltei para o quarto e procurei meu celular. Encontrei ele no criado-mudo ao lado da cama. Peguei ele e junto caiu um bilhete.
" Bom dia, ou pelo menos eu acho que já é dia... Ontem você pegou no sono no meu colo, te trouxe para  casa e a Thamires me ajudou a te por na cama. Qualquer coisa estou na minha casa (bom, só até às 14horas). Até...
Lucas. "

Eu estava tão cansada assim?
Desci as escadas e a mamãe estava sentada na bancada da cozinha com uma xícara de café na mão e o notebook ligado. Seus olhos estavam inchados, uma mistura de quem acabou de acordar e de quem chorou muito. Caminhei em sua direção e depositei um beijo em sua testa.
- Oi - ela forçou um sorriso.
- A senhora tá bem? - digo me sentando do outro lado do balcão ficando de frente para ela.
- Vou ficar - ela sorriu novamente porem sem mostrar os dentes, enquanto segurava minha mão.
- Okay - sorri em resposta. Tá tudo tão estranho...
Peguei uma xícara e me servi de café também, estava sem fome então só fiquei naquilo mesmo.
Minha mente viajou, passando pela vovó e depois parando no Lucas... queria ir agradecer ele, bom, por tudo.
- Filha - mamãe me chamou.
- Hm - respondi voltando a realidade.
- Hm, esse aqui... bom, esse aqui não é o Lucas? - ela disse olhando para a tela do notebook.
- Cadê? - falei sem muita importância.
Ela virou a tela do notebook para mim e vi a matéria: "Cantor Lucas Lucco beija morena em boate e depois saem juntos na noite passada" minha cabeça girou, assim como meu estômago, completando 360 graus. Desci mais a página e me arrependi no mesmo minuto. Lucas realmente estava agarrado em uma mulher. Por impulso continuei descendo a página e por fim me deparei com a imagem dos dois entrando no carro. Gabriella. Meus olhos encheram de lágrimas e começaram a escorrer pelo meu rosto. Por um tempo esqueci da mamãe ali, só me dei conta quando ela me cutucou.
Saí dali e corri para o meu quarto.
Não sei da onde saia tantas lágrimas de mim, de verdade.
Eu sei, não sou nada dele. Ele é totalmente livre para qualquer coisa. Mas eu não tenho culpa se eu me apaixonei.
Acho que chorei tanto que acabei pegando no sono.

Acordei com o barulho de alguém batendo na porta.
- Quem é?
- Eu - mamãe disse.
Levantei e abri a porta, depois voltei para a cama.
- Tá tudo bem? - ela disse sentando na minha frente.
- Vai ficar.
- Ele tá lá embaixo. Veio se despedir. - isso foi o suficiente para o meu coração me sufocar.
- Eu não quero ver ele. - digo tentando me manter estável, enquanto um nó surgiu na minha garganta.
- Filha, ignorá-lo não vai mudar nada.
- Mãe...
- Mãe nada. Vou mandar ele subir. - ela me interrompeu.
Desisti de protestar, sabia que ia perder mesmo.
Ela beijou minha testa e saiu do quarto.
Respirei fundo 1, 2, 3 vezes. E então ele apareceu, com um maldito sorriso no rosto.
- Ah, oi - ela disse entrando no meu quarto - Você tá bem?
- Todo mundo tirou o dia para perguntar isso.
- Nossa - ele levantou as mãos - Calma.
- O que você quer?
- Vim dar tchau. - ele sentou na cama.
- Tchau. Pronto, pode ir. - ser grossa dessa forma tava doendo. Minha vontade era de abraçar ele, mas não, eu não sou dessas.
- Caramba, o que eu te fiz? - Lucas disse, parecendo confuso.
- Lucas, eu só preciso ficar sozinha - respirei fundo mais uma vez.
- Tá legal. - ele se levantou - Eu sei como é difícil, e-eu só quero ajudar.
- Não, você não sabe. Sabe porque? Porque não foi a sua Vó que morreu, porque não foi você que viu a foto da pessoa que você está perdidamente apaixonada beijando outra. - disse sem pensar, o que resultou eu falando demais. Dessa vez não consegui desfazer o nó que estava parado em mim e as lágrimas caíram.
- O-o que? - Ele estava com a boca entre-aberta.
- Lucas... - sussurrei tampando meu rosto.
- Que fotos foram essas? E de quem você está falando? - ele disse calmo, até demais para o meu gosto.
- Esquece isso. Eu não preciso que ninguém tenha pena de mim. - me levantei da cama - Vai lá viver sua vidinha de cantor, pegar todas na balada, rir, se divertir. Não é isso que você gosta? - limpei algumas lágrimas que insistiam em cair e sorri ironicamente.
- Dá pra você parar de falar assim?! Eu realmente não te entendo. Só me responda, o que eu fiz de errado?
Peguei meu celular em cima da cama e digitei no google o título da reportagem. Abri no primeiro site que apareceu e mostrei para ele.
- Por que você veio? Por que não continuou fazendo sei lá o que com a Gabriella?
Lucas tomou o celular da minha mão, analisando tudo o que tinha escrito ali.
- Isso não é verdade! - ele disse ainda olhando para a tela do celular.
- Como não? - ri - Tem fotos!
- Sim, quer dizer, isso faz tempo.
- Ah claro, um dia. - sorri, usando minha melhor arma, a ironia.
- Você acha que eu iria vir se eu tivesse realmente feito isso? Você acha que eu iria cancelar entrevistas, contrariar todo mundo pra vim te ajudar se eu tivesse nessas condições? Francamente. - ele jogou meu celular. Por sorte, ele caiu na cama. - Olha - ele se aproximou de mim e segurou firme meus braços. - Isso faz tempo. Essas fotos são antigas, deve ser alguma armação daquela garota - ele serrou os dentes.
- Será? - digo totalmente embriagada pelo choro.
- Não acredita em mim? - ele me olhou de uma forma suplicante.
- Eu não sei de mais nada. Eu... - sentei na cama e escondi meu rosto.
- Olha as fotos, nela eu não tinha essa tatuagem aqui - ele disse calmo dessa vez. Se agachou na minha frente e tirou minhas mãos do meu rosto. - Olha - ele apontou para uma das suas tatuagens no seu braço. - agora olha aqui - ele pegou meu celular de novo e mostrou seu braço na foto. Realmente, não tinha nada lá. - Eu não sou esse tipo de cara. - ele segurou meu queixo, fazendo meus olhos se encontrar com os seus.
Percebi que seus olhos estavam marejados também.
E cá estava eu, sentindo uma completa idiota.
- Lucas, me desculpa, e-eu
- Shiii, tá tudo bem - me afundei em seus braços.
- Eu sou uma idiota, eu sei. Mas tá tudo tão complicado - solucei. - Sinto muito.
- Não fala assim, por favor.
Nos soltamos e pedi para o Lucas deitar ali comigo. Eu não queria fazer nada e como ele disse que ainda tinha uma hora, pedi para que ficasse comigo. Ele aceitou, sem nenhum protesto.
Ele deitou e me puxou, passando um dos seus braços por baixo da minha cabeça, me fazendo deitar em seu peito. Seu coração batia em um ritmo maravilhoso, que foi capaz de acalmar tudo o que estava agitado em mim.
Seus dedos brincavam os meus e ficamos assim por um bom tempo.
- Naclara - ele sussurrou.
- Hm...
- É verdade quando você disse que estava apaixonada por mim?

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