terça-feira, 24 de junho de 2014

CAPÍTULO 12

Cheguei em casa, levei minhas coisas pro quarto e fui trocar de roupa.
Peguei meu carro e fui até o ateliê.
- Oooooooi - disse entrando.
- Potranca - Sarah correu na minha direção e pulou em mim.
- Socorro - ri.
- Saudades. - ela disse me soltando.
- Eu sei, não vivem sem mim. - joguei o cabelo pro lado e ela revirou os olhos.
Cumprimentei as meninas, porém senti falta de uma.
- Cadê a Zabela?
- Fia, nem te conto oque aconteceu nesses quatro dias.
- Ah mas você vai contar sim. - arrastei ela pra minha sala, fechei a porta e nos jogamos no sofá.
- Nesses quatro dias Iza simplesmente começou a namorar o Israel.
- OI?! - quase caí do sofá.
- Ligeira querida. Enfim, hoje ele tava em São Paulo e chamou ela pra almoçar.
- Miga esperta - rimos.
- E você? Conta como tá o tio e a tia, como foi lá, conheceu alguém, conta tudinho!
- Eles estão bem, graças a Deus. Mais unidos do que nunca. E se eu conheci alguém? - sorri lembrando do Lucas
- Conheceu e já se apaixonou? DEUS, PORQUE ISSO NÃO COMIGO? - ela disse olhando pro teto.
- Idiota. - ri
- Fala logo.
- Na verdade eu já "conhecia" - fiz aspas no ar - meus pais são vizinhos do Lucas - sorri.
- Ihhhhhh, já vi tudo! - ela riu.
- Viu o que garota? Tem nd pra ver não. - falei séria.
- Aham, tá. Termina de contar.
- Tem nada demais, mãe pai e eu jantamos na casa da minha dele. - resolvi não contar da madrugada, não porque não confiava na Sarah, porque eu confio minha vida nela, mas sim porque foi um momento que deveria ser guardado só pra nós.
- Só? - ela levantou as sombrancelhas, parecendo ler meus pensamentos.
- Uai, só. Porque? Devia ter mais?
- Opa, então tá.
- To com fome, vamos comer alguma coisa. - disse empurrando ela do sofá
- Voltou mais mandona, incrível.
Pegamos nossas bolsas e fomos num restaurante ali perto mesmo.
Deixei Sarah no ateliê e fui pra casa pra poder desfazer aquela mala.
Quando estava guardando as coisas no guarda roupa, avistei um "saco" preto.
Tirei o saco do guarda roupa e coloquei ele em cima da cama, só então me fazendo lembrar do que eu tinha guardado ali.
Abri e me deparei com uma capa de violão, com o próprio dentro. Lágrimas se formaram em meu rosto e a imagem do meu vô veio na mente. Lembro quando ele tocava aquelas modas de viola para mim. Da vez que ele me ensinou a tocar os primeiros acordes. Quando vi, já estava inundando meu quarto. As vezes eu só queria poder voltar no tempo para poder dar um abraço nele, poder me despedir direito.
Tirei o violão da capa, ajeitei ele em meu colo e toquei alguns acordes. Não consigo, era tortura demais, era trauma, não sei dizer.
Guardei o violão de novo no mesmo lugar, fui no banheiro e lavei o rosto. Escutei meu celular tocando, corri atender.
- Alô? - disse. Droga, meu nariz tá entupido.
- Oi gata - reconheci a voz e dei um meio sorriso.
- Oi.
- Se tá bem?
- Não. - admiti - Mas vou ficar.
- Certeza? Quer conversar?
- Não quero falar agora. Desculpa.
- Tudo bem. Quer sair então? Sei lá, pode te fazer bem.
Pensei e acho que vai ser bom.
- Pode ser.
- Passo às 20hr ok?
- Ok.
- Tchau.
- Espera. - disse.
- Pois nao.
- Onde vamos? Quer dizer, pra saber a roupa q vou usar.
- Nada formal. Beijo.
Nem consegui responder e ele desligou.
Fui na cozinha e peguei gelatina. Comi, olhei no relógio q marcava 18:48hr. Subi tomar um banho. Sai enrolada na toalha e escolhi um vestido azul royal com um cintinho marrom, como Lucas disse que não seria nada formal, optei por uma sapatilha florida com detalhes em marrom também. Sequei meus cabelos deixando eles totalmente liso.
Passei uma maquiagem leve, com batom rosinha. Terminei de me arrumas faltando 5 pras 20hrs.
Quando deu 20:12hr Lucas mandou uma mensagem dizendo que chegou.
Fechei a casa e fui na direção dele. Ele estava de calça jeans, uma camisa azul marinho quase preto e tênis preto.
- Tá linda - ele disse assim que aproximei dele.
Sem nem dar tempo de nada, Lucas beijou meu rosto. Sorri tímida e ele abriu a porta do carro para mim.
- Que cavalheiro. - ri
- Só as vezes, acostuma não.
Apenas ri.
Fomos o caminho jogando conversa fora.
- Onde vamos? - disse olhando o caminho que não me era familiar. Acho que nunca fui pra aqueles lados, afinal SP é enorme.
- Você vai ver já já - ele sorriu ainda olhando para frente

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