segunda-feira, 20 de março de 2017
CAPÍTULO 33
- Hm - ele disse cochilando na cama
- Tava aqui pensando, coisa atoa mas - mordi minha boca por dentro - o que suas fãs acham de mim?
- Ah, sei lá. Elas são bipolares - ele riu - podemos se dizer que metade gosta e metade não, normal, de sempre.
- Mas porque elas não gostam?
Ele me olhou.
- Pelo simples fato de você estar comigo uai. Nunca vi mais ciumentas - ele sorriu
- Ah - sorri sem mostrar os dentes.
- Mas porque isso agora?
- Curiosidade só. - dei um selinho nele e deitei em seu peito que estava a mostra.
Quando estava pegando no sono, escuto a campainha tocar. Isso é hora das meninas passarem aqui?!
- Ja volto. - disse levantando da cama.
Ele assentiu sem abrir os olhos. Vesti meu roupão que tava em cima da cadeira do computador e desci as escadas correndo.
Assim que abri a porta, juro querer ter nem saído do quarto
- Bom dia quase tarde - Pedro tava ali na minha frente com um sorriso que por mais que seja a coisa mais linda eu não suportava!
- O que você ta fazendo aqui?
- Ah, vim te trazer isso - ele se referiu as flores coloridas em sua mão.
- Obrigada mas não quero - disse ja fechando a porta mas ele me impediu.
- Não foi assim que me lembro de você me tratar. - ele disse com um sorriso na boca, achando aquilo um desafio.
- Bom, mas eu lembro de ser tratada assim. - falei, pronta pra dar um soco na cara dele antes do imprevisível acontecer. Pedro soltou as flores no chão e veio para cima de mim e me beijou, sem ter tempo de impedir. Ele segurou meus braços e me empurrou contra a porta, mesmo eu fazendo todo o esforço possível para me soltar dele. Abri a boca dando passagem para sua língua passar e assim que ele fez, juntei todas as forças e a mordi, sentindo de imediato o gosto de sangue.
-- Atrapalho?! - escutei a voz do Lucas.
- Não. Por favor, não. - pensei
Pedro me soltou na hora e fingiu espanto quando viu o Lucas parado no topo da escada.
- Lucas, não é o que...
- E o que estou pensando? - ele estava frio, sua boca formou uma linha inexpressiva.
- E-eu sinto muito. Depois a gente conversa. - Pedro disse pra mim, antes de sair.
Não sentia minhas pernas, por isso não consegui sair do lugar. Pedro fechou a porta no instante em que senti as lágrimas rolarem pelo meu rosto.
- Me diz Sofia, o que eu estou pensando?! - ele continuava parado.
- E-eu não tenho nada com ele, ele me beijou a força e... - engoli o nó que se formava em mim.
- Não foi o que pareceu. - ele virou as costas.
- A onde vai? - só então dei um passo a frente.
- Qualquer lugar, menos ficar aqui, ja que estou sobrando. - e ele entrou no quarto, voltando segundos depois colocando suas roupas.
- Por favor, acredite em mim. - sussurrei mas ele ouviu.
- Como? Como acredito se eu vi você agarrada no que seria seu ex?
- Seria não, ele é meu ex! Lucas, eu jamais faria isso com você. - Lucas ja estava vestido e caminhava em direção a porta - Que droga, me deixa explicar!
- Tá Sofia, então me explica - ele parou e me encarou. - me explica porque eu vi vocês dois se beijando e porque diabos ele trouxe flores para você. Por favor Sofia, me explica porque eu não consigo entender.
- Ele fez isso de propósito! Não percebe que ele quer a gente separado?!
- Essa é a sua explicação?! Pois bem, ele conseguiu o que queria. - Lucas saiu e bateu a porta com força.
Só pode ser um pesadelo!
Enxuguei as lágrimas e corri para fora de casa. Lucas estava saindo da garagem de carro, e creio que ele não me viu já que sem pensar em entrei na frente do seu carro mas ele não conseguiu parar a tempo.
Senti um impacto na cabeça e caí no chão. Não me importei. Ele não pode ir embora sem me ouvir, sem acreditar em mim.
- Que droga Sofia! - senti seus braços ao meu redor, mas não consegui ver mais nada.
Nota: QUE SAUDADES!
Meu Deus, sei que sumi e que faz MUITO tempo que não apareço por aqui, mas antes tarde do que nunca né?! Taí um capítulo novo pra vocês, não muito grande mas pretendo voltar com td!!
Bjinhosss
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
CAPÍTULO 32
Que eu lembre, essa foi a primeira vez que fiquem sem palavras. Fiquem êxtase, em total choque com o que acabei de ouvir. Ele me olhava com a alma, ansioso por uma reação. E fiz a primeira coisa que meu coração mandou fazer: se entregar.
O beijei, com toda vontade do mundo, com malícia, com amor, ora com urgência ora com calma. Lucas respondia todos os meus toques, nossos labios não se desgrudavam nem para respirarmos.
Quando percebi, já estava sem sutiã e shorts, apenas de calcinha. Lucas não estava diferente, em algum momento ele tirou a sua calça jeans e a jogou em qualquer direção.
Ele distribuía beijos molhados por todo o meu corpo depois voltava para a minha boca. Suas mãos brincava com os meus seio e na boa, que demora! Eu o quero. Agora, não aguento mais esperar. Meu corpo já estava entregue de tesão. E o dele também, porque o volume de sua cueca estava magnífico.
- Me faça sua! - implorei com a voz mais sexy que consegui fazer.
- Tem certeza? - ele me encarou, ofegante, com um olhar de "diz que sim".
- Eu te amo. - sorri em resposta.
Lucas sorriu, me beijou e levantou da cama num pulo e eu fiquei tipo, oi?! Ele procurou a calça dele pelo chão e quando achou pegou sua carteira e retirou uma camisinha de lá. Só então me toquei.
Ele pulou em cima de mim.
- Ai, urso! - ri
Ele tirou minha calcinha e sorriu. Safado! Logo em seguida ele tirou sua cueca, colocou o preservativo e me penetrou. Gememos juntos. Segurei em suas costas, infiando minhas unhas nelas. Lucas fazia movimentos de vai e vem, as vezes rápido me fazendo ver estrelas, as vezes de vagar me torturando imensamente.
E foi assim, nos amamos a noite inteira, chegamos ao épico umas três vezes juntos e só paramos porque estávamos exaustos. Maníacos do sexo ha ha. Mas não, era bem além. Os seus toques, seus beijos, suas carícias, gemidos, mordidas, tudo que nos envolvia era completamente único. A primeira vez que me senti amada. A primeira vez dos meus sonhos.
Acordei no dia seguinte com o peso do braço do Lucas em cima de mim. Levantei a cabeça e olhei a cena ao redor. Apenas um lançou cobria nossos corpos, havia roupa espalhada por todo lado do quarto e não fizemos só amor na cama e sim na mesinha do computador e na poltrona, o que resultou em algumas coisas quebradas.
Sorri ao lembrar de tudo. Sorri ainda mais ao vê-lo dormir ali do meu lado com uma expressão de paz, de calma. Tentei tirar seu braço de cima de mim sem acordá-lo mas não deu.
- Bom dia - ele sorriu ainda de olhos fechados.
- Bom dia preguicinha - respondi.
- Preguicinha não, você que acabou comigo - ele abriu os olhos, ainda sorrindo.
- Lucas! - senti meu rosto corar de vergonha.
- Ai meu Deus, com vergonha?! - ele riu e finalmente tirou seu braço de cima de mim.
- Grata. - sorri e sentei na cama. Peguei meu sutiã que estava caído no chão do meu lado e vesti. Puxei mais o lençol e me levantei até alcançar a camisa dele que estava um pouco mais a frente. A vesti e soltei o lençol indo até minha gaveta e pegando uma calcinha. Quando olhei para a cama, não sabia se me escondia ou se ria.
- LUCAS! - gritei, ri e tampei o olho.
- Que?
- Se veste.
- O que? Tá falando sério?
- Sim. Anda logo - ri
- Mas gente, você viu isso a noite inteira - ele riu. - Pronto ou!
Afastei um dedo do meu rosto para verificar. De cueca. Bem melhor, quer dizer, não. Melhor não e sim mais confortável para os meus olhos.
- Vem aqui - ele sentou na cama e bateu de leve nela me chamando.
Caminhei e sentei do seu lado já me aninhando em seu peito.
- Não vou te devolver mais essa camisa - disse sentindo seu perfume.
- Se você prometer usar sempre ela desse jeito na minha frente, sem problemas - ele deu de ombros.
- Você é muito tarado, que isso - ri.
Ele sorriu. Então ficamos em silêncio. Me peguei observando pela sacada o sol, estava um dia lindo, nenhuma nuvem no céu.
- Faz aquilo de novo? - ele sussurrou.
- Aquilo...? - o olhei.
- O violão. Toca de novo? Pra mim?
- Eu tenho vergonha - sussurrei já desviando meu olhar.
- Do quê? Você faz isso tão bem - ele levantou meu rosto. - Por favor?
Tá, como que se nega alguma coisa mesmo? Me lembrem ai porque esqueci como faz isso.
- Tudo bem. - suspirei e levantei de seus braços. Peguei meu violão que estava do lado da porta e voltei para a cama. Sentei de frente para ele. Minhas mãos começaram a suar, sei lá, coisa boba.
Pensei em uma música e sorri quando escolhi mentalmente qual seria. Fechei os olhos e comecei:
"Não consigo olhar no fundo dos seus olhos
E enxergar as coisas que me deixam no ar, deixam no ar
As várias fases, estações que me levam com o vento
E o pensamento bem devagar Outra vez, eu tive que fugir
Eu tive que correr, pra não me entregar
As loucuras que me levam até você
Me fazem esquecer, que eu não posso chorar
Olhe bem no fundo dos meus olhos
E sinta a emoção que nascerá quando você me olhar
O universo conspira a nosso favor
A conseqüência do destino é o amor, pra sempre vou te amar Mas talvez, você não entenda
Essa coisa de fazer o mundo acreditar
Que meu amor, não será passageiro
Te amarei de janeiro a janeiro
Até o mundo acabar
E meu amor, não será passageiro, te amarei de janeiro a janeiro... até o mundo acabar"
Terminei a música e abri meus olhos. Lucas estava sorrindo, mas sem mostrar os dentes. Seus olhos estavam marejados. Sério, dá pra acreditar?
- E ai? Não vai falar nada? - disse já ficando sem graça.
- Eu sou o homem mais sortudo do mundo. - ele disse me puxando para um beijo.
Preciso dizer o que aconteceu em seguida?
Amor, amor, amor e mais nada.
terça-feira, 18 de novembro de 2014
CAPÍTULO 31
- Oi - dei meu sorriso e a abracei.
- Que carinha é essa? - ela me soltou para ver minha expressão.
- Odeio despedidas. - falei, por fim.
- Eu também. - ela disse já me puxando para seu colo.
Ficamos ali por um tempo conversando. Depois ela foi preparar o almoço e eu fui ajudar. A louca varrida da Thamires chegou bem na hora que estávamos sentando na mesa, e pra deixar claro, ela comeu metade da comida sozinha.
Como sempre, a despedida dos meus pais foi uma tortura. Sério, vê aqueles dois abraçados de lados com carinhas de cachorro abandonado é de partir o coração. Mas faz parte.
Um mês se passou desde o falecimento da minha avô. Minha vida voltou ao ritmo normal. De casa pro trabalho, do trabalho para casa. Às vezes eu e as meninas íamos para um barzinho, só para fazer uma socialzinha mesmo. Desde que voltei de Patrocínio, falei muito pouco com o Lucas. Era incrível, nossos horários nunca batiam, quando ele estava livre eu estava ocupada, e vice versa. Aquilo estava uma tortura sem tamanho.
Hoje é sábado, já está escurecendo e eu não consigo criar forças para levantar da cama. Não sei da onde saia tanto sono de mim, acho que eu estava trabalhando muito, sei lá. E aí, do nada, veio uma vontade louca, algo que eu não sentia a muito tempo. Tocar meu violão. Meu coração quase me esmagou, implorando para mim fazer isso. E assim fiz. Aquilo me fazia bem e me faria ficar mais perto dos meus anjos lá em cima. Peguei ele de dentro do armário e antes de começar dedilhar algumas notas, passei um pano para tirar o pouco de poeira que tinha nele.
Liguei meu notebook no site de cifras e escolhi a música que tá sendo meu xodó esses dias.
Ajeitei o violão no meu colo e comecei:
What would I do without your smart mouth...
Minha voz não saiu das melhores, mas mesmo assim continuei:
"Drawing me in and you kicking me out Got my head spinning, no kidding I can't pin you down What's going on in that beautiful mind I'm on your magical mystery ride And I'm so dizzy, don't know what hit me But I'll be alright
My head's under water But I'm breathing fine You're crazy and I'm out of my mind"
E sim, eu estava chorando e sim, eu só percebi isso quando senti as lágrimas cairem no meu peito. Olá, sou uma manteiga e está muito sol, valeu, falou!
Sorri. Aquilo me fazia bem, como pude ter parado com isso?
Voltei a tocar, agora para o refrão.
"Cause all of […]"
Parei por escutei a voz de alguém. Mas assim que parei de cantar, a voz, ruído, sei lá o que também parou.
- Quem tá ai? - falei olhando em direção a porta como se fosse aparecer alguém ali falando "ha iê iê". Óbvio, ninguém respondeu.
Levantei e ajeitei o violão no meu colo, meio desengonçada, meio não eu estava totalmente. Cantei baixinho, tocando apenas algumas notas do violão
"Cause all of me
Loves all of you
Love your curves and all your edges All your perfect imperfections"
Enquanto cantava e tocava fui indo em direção a porta. Sério, tinha alguém cantando junto comigo, só sei por causa do ritmo pois não dava para entender muito já que a criatura estava cochichando. Temos várias opções para o que seja ou melhor, quem seja. 1 A Bre: Ela pode ter esquecido alguma coisa em casa e voltou para pegar e quando escutou a música parou para cantar junto. Tipo, nada vê. 2 Podia ser um ladrão. Mas um ladrão não estaria parado cantando e sim roubando, certo?! Certo. 3 pode ser uma das meninas. Nunca se sabe, mais estranhas e loucas nunca vi igual.
"Give your all to me I'll give my all to you" Continuei e cheguei na porta. Meu coração virou do avesso, sorri de orelha a orelha, se duvidar deu a volta inteira na minha cabeça.
Como ele entrou? Eis a questão. Mas, não importa. Ele voltou!
- Lucas? - ele estava encostado na parede do lado da porta do meu quarto, parecia que estava em outro mundo e não ali comigo.
Ele me olhou de uma maneira que jamais vi. Recebi um meio sorriso dele enquanto seus olhos me encaravam de uma forma hipnotizadora. Ele não esboçou mais nenhuma reação até eu voltar a falar.
- Como você en - e aí ele me agarrou e me beijou. Assim, do nada. Sem ter tempo de reação ou qualquer coisa do tipo. E o que fiz? Me entreguei. Já disse, nossas línguas tem uma sincronia tão perfeita que sei lá, vou ali em Marte e já volto.
Meu violão já estava no chão, claro. Ele foi me guiando para dentro do meu quarto.
- Que saudade! - disse ofegante.
- Já estava doendo. - ele respondeu do mesmo modo.
Ele me deitou na cama e veio por cima de mim, sem braços estavam apoiados na cama do lado do meu corpo enquanto sua língua fazia um tour pela minha boca, explorando cada canto dela.
Ele me puxou me fazendo ficar sentada em seu colo. Me olhou por 1 hora, digo, uns 20 segundos e voltou a me beijar cada vez mais desesperado. Uma de suas mãos entrou por de baixo da minha regata, me alisando. A outra intercalava entre minhas pernas e minha nuca. Se ele tivesse sem camisa, juro que ele estaria todo arranhado. Mas como mãe dinah, ele tirou ela jogando-a em qualquer canto do quarto. E ele fez a mesma coisa com a minha.
Eu queria. Queria não, eu necessitava, caso de vida ou morte. Mas era mais forte que eu. Merda!
- Lucas - sussurrei.
- Xiiiii. Você confia em mim?
Concordei com a cabeça.
- Mas eu tenho medo. - me afastei dele.
- De quê?
- Do futuro. - falei já segurando para não chorar.
- Ei, olha aqui. - ele segurou meu rosto me fazendo-o encarar. - O futuro a Deus pertece. Viva o agora.
- Eu sei, é que - ele me interrompeu
- Eu te amo.
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
CAPÍTULO 30
Só conseguia sentir nojo. Sim, isso que sentia ao ver aquele homem sorrindo sinicamente em minha direção.
Juntei minhas forças que deviam estar esparramadas por ali e me levantei. Peguei a garrafinha e fui empurrando a bicicleta porque levantar já foi um bom começo, agora arriscar montar na bicicleta já era demais.
- Ei Clarinha, espera ai - escutei a voz dele mais perto do que devia. Por instinto olhei para trás e ele vinha correndo. O Pedro usava uma bermuda branca, uma camisa polo azul e sapatenis.
- Não vai esperar? - ele disse.
- O que você quer? - disse sem olhar para trás, porém parada.
- Quero falar com você ué. Aquele dia na boate nem deu tempo de nos despedir.
- Não me lembre daquele dia! - rosnei mais para mim do que para ele.
- Porque não? Eu gostei, você gostou... - agora ele entrou na minha frente.
- Cala a boca! - o encarei de uma forma que parecesse que iria sair visão lazer dos meus olhos.
- Ok. - ele sorriu mais ainda. Filha da puta!
- Licença, tenho mais coisas para fazer! - desviei dele para seguir caminho mas o vigarista segurou meu braço.
- Ei calma ai, eu não vou te morder. Ah, só se você quiser, é claro.
- Me solta! - rosnei puxando meu braço.
- Veio pra morar aqui de novo? Ou continua em São Paulo? - ele continuou me seguindo. Não respondi. - Tudo bem...
Minha vontade era de subir naquela bicicleta e pedalar o mais rápido possível. Mas com a ânsia que eu estava sentindo não iria permitir isso. Comecei a caminhar mais rápido e ele foi diminuído.
- Qualquer dia eu te visito em São Paulo. Ah, gostou das flores?
Gelei.
- O-oque?
- As flores, te mandei a uns dias atrás. E eu sei que você recebeu porque eu mesmo fui com o entregador deixar na sua casa. Bom, de nada! - ele sorriu abrindo os braços.
- O que você quer comigo? Já não basta tudo o que me causou? - senti o nó se formar na minha garganta, mas consigo engoli-lo
- Eu sei, por isso mandei as flores, eu mudei Clara, eu juro que mudei! E eu só queria pedir desculpas - seus labios que antes estavam mostrando seus dentes se transformou em uma linha reta.
- E acha que isso basta? Eu devia é te denunciar cara! - gritei.
- Você não faria isso. Até porque você não tem provas - ele riu ironicamente.
- Se aproxime de novo e eu não responderei por mim! - voltei a andar, mas dessa vez ele ficou parado me observando afastar. - E ah, da onde você tirou que não tenho provas? - eu estava blefando, é claro. Mas funcionou. Seu rosto se transformou, vi até um certo desespero aparecer ali. Sorri, com tamanha irônica e feliz por ter deixado ele longe de mim.
Minha casa parece que era em outra cidade, porque nunca que chegava nela. Assim que avistei ela, soltei todo ar dos meus pulmões, como se eu tivesse sem respirar o caminho todo. Guardei a bicicleta e entrei em casa dando graças a Deus por não encontrar ninguém na sala. Entrei no meu quarto já tirando a roupa, deixando um rastro pelo caminho. Liguei o chuveiro o mais quente possível, entrei no banho sentindo minha pele arder por causa da água quente. No começo foi bom, mas depois começou queimar muito então fui obrigada a esfriar um pouco a água. Sentei no chão, enquanto a água morna escorria pelas minhas costas. Só percebi que estava chorando quando saiu uns soluços involuntários de mim.
As lembranças daquela noite com o Pedro foi se tornando mais real do que devia. Eu lembrava de tudo, cada detalhe.
Acho que se tivesse prêmio de garota mais idiota e iludida do mundo, eu com certeza ganharia. Eu acreditei que aquela noite seria mais uma noite perfeita. Acreditei que ele iria cuidar de mim, que fosse fazer daquilo único e inesquecível, como se fosse a primeira vez. Bom, de certa forma foi único e inesquecível. Pedro estava com cheiro de vodka, mas ele ainda estava são. Ele me olhava parecendo um urso que não se alimentava por um bom tempo. Ao contrário do que imaginei, ele foi um estúpido. Aquele cara que estava segurando minhas pernas com tamanha força que estava machucando, não era pelo qual eu tinha me apaixonado. Pedi para ele parar, mas ele não me ouviu. Continou a me beijar (forçando cada vez mais), seu corpo sobre o meu não me permitia fazer nada já que suas mãos que antes apertavam minhas pernas, estavam segurando meus braços para cima da minha cabeça. Ele não parava, eu gritei, chorei, esperniei. Não era para ser daquele jeito... mas nada adiantou. Depois de rasgar minhas roupas me deixando nua, ele parou e me olhou com um sorriso do tipo "não adianta, estamos sozinhos e hoje você vai ser minha". E assim foi. Aliás, o que poderia fazer? Já tinha gritado tudo o que conseguia, chorado tudo o que meu corpo permitiu. Na hora que ele me penetrou, a sensação de enjôo tomou conta de mim. Sério, foi horrível. Doía demais, não ele me penetrando e sim meu coração. Depois dele me mandar cala boca, me chamando de mimada e acredite, até de vagabunda de quinta, eu parei de lutar. Parei de protestar, de chorar, de tentar fazer alguma coisa. Eu parecia uma boneca naquela cama, sendo conduzida por um psicopata. Só tive alguma reação quando depois que ele terminou de fazer tudo o que queria com meu corpo, ele foi tomar um banho. Juntei minhas coisas e saí dali. Não lembro onde fui, nem quem me encontrou, só lembro de estar acordada em casa. E o pior de tudo é que no fim, ele só esteve comigo por uma aposta.
Depois de me despertar daquelas lembranças, terminei meu banho e saí enrolada na toalha. Coloquei um vestido solto com um cintinho marcando a cintura, uma sandália melissa, penteei meus cabelos e resolvi arrumar a bagunça do quarto que consegui fazer em um dia e meio. Ajeitei minha mini mala e desci. Fiquei jogada no sofá até ouvir a porta da sala se abrir:
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
CAPÍTULO 29
Por Deus, minha mãe bateu na porta bem na hora. Dei um pulo e fui abrir.
- Pois não.
- Avisa pro Lucas que tem gente lá em baixo esperando ele. Acho que é Hu alguma coisa.
- Hulk?
- Isso - ela riu.
- Tá bem.
Ela saiu da porta e eu voltei para cama onde o Sr. Folgado estava esparramado.
- Hulk tá ai. - digo me sentando na cama.
- Aff - ele fez a cara de tédio mais linda do mundo, sério.
Fiz um biquinho também, só para entrar no charme.
- Não faz isso que não te solto mais. - e passou do Sr Folgado para o Urso Polar.
- Ai - ri enquanto ele me virava, ficando por cima de mim.
Ficamos nos encarando por longos e maravilhosos seguntos. Aí caiu a fixa que daqui a alguns minutos ele não estaria mais na minha frente, provavelmente não nos veríamos mais esse mês. O nó na garganta foi automático, não tive como protestar. A única coisa que me restava era aproveitar aquele momento, intensamente.
Peguei em sua nuca, puxando ele mais para mim, colando de vez os nossos corpos. Lucas apoiou seu corpo na cama, para não me esmagar. Selei nossos labios, e a urgência para que o beijo acontecesse falou mais alto. Nossa língua tinha total sincronia. Por um momento queria ser um robô para não ter que parar por falta de oxigênio.
Lucas fez questão de terminar o beijo com uma mordida, seguida por inúmeros selinhos. Entre eles, Lucas falou alguma coisa no qual não entendi, mas não pedi para que repetisse. Aquilo tudo não podia acabar. Eu só queria ele, cada dia mais, mais e mais.
~ LUCAS NARRANDO ~
Aqueles segundos (que pra mim foram minutos) encarando seus olhos, foi o que faltava. Vi além de olhos castanhos, eu vi a alma, o coração pelo qual o meu bate agora.
O beijo foi único, como cada um que nós damos. Sei lá, um jeito só nosso.
- Eu acho que te amo. - digo totalmente sem fôlego e sem controle. Acho que ela não entendeu, ou sim, não sei.
~ ANA CLARA NARRANDO ~
Como sempre, a despedida foi mais difícil do que imaginava. Mas me sentia mais tranquila. Com medo, porém tranquila. Passei o resto dia paparicando mamãe. As vezes ela parava e parecia que ia para outro mundo. Peguei ela limpando as lágrimas várias vezes ao olhar o porta-retrato com uma foto da vovó. Papai também ficou com a gente de tarde. Pediu para sair mais cedo para aproveitar minha "visita" e bom, ajudar a mamãe. Ninguém estava sofrendo mais que ela, tadinha.
Os dois imploraram para que eu ficasse a semana inteira, mas não dava.
Thamires sumiu o dia todo, provavelmente foi matar saudade da tia também.
No jantar o clima estava melhor. Papai ficou fazendo gracinhas para rirmos e por aí vai. Depois, subi para meu quarto. Parecia que um caminhão tinha passado por cima de mim. Tomei um banho quente, vesti minha camisola do piupiu (eu sou apaixonada nessa camisola), fechei todas as curtidas para não ter perigo de acordar com a claridade. Assim que deitei, mandei mensagem para Thamires avisando que o vôo estava marcado para 14:00hrs amanhã. Ela disse que ok, que ia aproveitar esse tempo para ficar com a mãe dela (como disse).
Acordei no dia seguinte sozinha, acredite. Levantei pegando uma toalha e indo pro banheiro. Tomei um banho gelado, lavando meu cabelos. Saí do chuveiro enrolada na toalha e fui para o guarda roupa. Peguei um shorts jeans preto rasgado e uma blusinha de ombro caído branca. Vesti meu chinelo e fui pentear meus cabelos. Por fim acabei secando ele, deixando-o totalmente liso. Depois de estar pronta, peguei meu celular. Sim, era 8:30 da manhã. Um milagre ocorreu neste quarto, vamos glorificar. Coloquei o celular no bolso e desci para a sala. Não encontrei ninguém lá e nem na cozinha. Estranhei, mas logo avistei um bilhete colado na geladeira.
"Filha, fui com seu pai resolver uns problemas. Deixei várias coisas pra você comer no microondas. Voltamos para te levar no aero. Te amo, mãe"
Abri o microondas e tinha um banquete lá dentro: pão de queijo, pão de cereja, sonho de creme e assim vai. Por um mundo que eu possa comer e não engordar, amém.
Tomei um café reforçado. Qual é, dizem que essa é a refeição mais importe do dia, então...
Limpei a bagunça que fiz na mesa e decidi andar de bicicleta pelo condomínio. Coloquei meu tênis e meu oculos, peguei minha bicicleta que estava no quintal dos fundos, montei nela e fui ser feliz. Tava um tempo bom, sol porém bastante fresco. Passei em frente a casa do Lucas e encontrei Leandro agarrado em uma garota.
- Que isso hein! - gritei e ri.
Os dois se soltaram rapidamente e os rostos coraram de vergonha.
- Ah! É você - ele disse colocando a mão no coração em sinal de alivio.
- Podem continuar ai, não vou mais atrapalhar. - ri.
A menina, de cabelos castanhos até o meio das costas sorriu tímida.
- De boa - ele deu de ombros.
A menina limpou a garganta. - Ah, essa aqui é a Ana Clara - ele apontou pra mim - ela é a garota que meu irmão tá apaixonado, mó chatice. - ele disse um pouco baixo.
- Se fecha ou! - mostrei a lingua e nós rimos. - Prazer - acenei para ela.
- Oi, sou a Milla. - ela acenou de volta.
- Bom, vou nessa. Felicidades - mandei beijo e voltei a subir na bicicleta.
- Idem, cunhadinha.
- RA RA - fingi rir, mas logo ri de verdade. Foi bom ouvir ele me chamar assim, confesso.
Voltei a pedalar, observando tudo ao meu redor. Depois de muito andar, parei em baixo de uma árvore para descansar. Peguei a garrafinha que tinha colocado embaixo do cano e tomei tudo num único gole.
Tinha uma casa linda na minha frente, ela era cor creme e tinha 3 carros na garagem. Vi uma movimentação na janela e fiquei observando. Então um homem abriu a curtina e sorriu ao me ver. Meu coração parou de bater e a garrafinha escorregou da minha mão. Perdi todas as forças de levantar dali, assim como a voz sumiu também.
O que ele estava fazendo ali?
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
CAPÍTULO 28
~ LUCAS NARRANDO ~
Eu estava dormindo quando recebi uma ligação de um número que não conhecia.
- Alô? - disse.
- Lucas?! É a Thamires, amiga da Ana Clara, lembra?!
- ãn, sim.
- Ela precisa de você. Estamos indo para Patrocínio, a vó dela acabou de falecer.
- Meu Deus - digo sentando na cama. - Cadê ela?
- Tá no quarto dela. Se você realmente se importa com ela, você precisa ir ver ela.
- Tudo bem.
- Obrigado e desculpa te acordar. Tchau.
- Tchau.
Sem pensar, levantei e vesti minha calça que estava jogada no chão do quarto. Peguei a primeira camisa que vi, meu chinelo e fui até o quarto do Alessandro.
- Ale - digo batendo na porta.
- Que foi? Bate mais, assim você vai conseguir derrubar a porta. - ele disse quando abriu a porta com a cara toda marcada, provavelmente pela cama.
- Foi mal - digo entrando no quarto.
- O que se quer?
- To indo para Patro. - digo encarando ele.
- QUÊ? Fazer o que lá? Por que?
- Eu só preciso ir.
- Lucas, não dá. Amanhã - ele olhou para o relógio que tinha do lado da cama - Hoje você tem entrevista para 3 rádios.
- Tem show? - perguntei impaciente.
- Não.
- Adianta essas entrevistas. Depois delas, eu vou pra lá. - disse já indo para a porta.
- Eu posso saber o motivo dessa pressa toda?
- A Naclara precisa de mim.
Ale começou a rir. - Se tá de brincadeira né? Lucas!
- Ou isso, ou eu vou agora mesmo pro aeroporto.
- Bem dizem suas fãs, quando você se apaixona, fica cego.
Não respondi e nem esperei ele dizer mais nada. Saí dali e fui para o meu quarto.
Ale conseguiu adiantar as coisas, mas ainda sim aquilo parecia nunca passar. Depois das 3 entrevistas feitas, corri para o hotel. Só peguei uma bolsa de costas mesmo, meu celular e fui pro aero. Eu precisava abraça-lá, mostrar para ela que tudo vai ficar bem.
Cheguei em casa e minha mãe ficou surpresa.
- Lucas?! O que houve?
- Mãe, depois a gente conversa tá?
- Mas tá tudo bem?
- Não. Quer dizer, sim, comigo sim. - digo jogando minha bolsa no sofá - Sabe se a Ana Clara tá na casa dela?
- Eu estava lá até agora. Ela saiu. Não sei onde ela foi.
- Tá. Beijo, te amo - beijei seu rosto e saí de casa antes de ela fazer mais alguma pergunta.
Andei todo o condomínio, todo o quarteirão e nada dela. Depois, só um lugar veio na minha cabeça: o campo.
Fui para lá o mais depressa possível e lá estava ela.
Sentada no chão abraçando seus joelhos. Ao me aproximar pude escutar seus soluços.
- Por que? Por que você me tira pessoas tão maravilhosas da minha vida? - ela disse olhando para o céu. Sua voz embriagada devido ao choro.
- Ele sabe o que faz - disse por fim, olhando para a mesma direção que a dela.
- Lucas?! - ela disse me olhando. Seus olhos estavam inchados e vermelhos.
Ela levantou e correu na minha direção. A abracei, sentindo um alívio por estar ali, com ela.
~ ANA CLARA NARRANDO ~
Depois de um bom tempo soluçando em seus braços e ele me consolando, fui me acalmando.
- Como você soube? - digo enquanto sentavamos ali no gramado.
- Sua amiga. Ela me ligou.
- Ah - foi tudo o que consegui dizer. Não queria falar muito, eu só precisava de paz para ver se conseguia acalmar meu coração. Lucas me encaixou no meio das suas pernas, apoiei minha cabeça em seu peito e assim ficamos.
- Obrigado por ter vindo - sussurrei.
- Fiz o que meu coração pediu. - ele depositou um beijo no topo da minha cabeça.
Abri meus olhos e me deparei com meu quarto. Levantei a cabeça mas achei melhor não pois ela estava martelando, como se eu tivesse de uma ressaca de três garrafas de vodka.
Fiquei tentando lembrar como fui parar ali. Só me lembro do Lucas beijando minha testa e eu fechando os olhos para sentir seu toque e para tentar segurar as lágrimas que ainsa insistiam em cair.
Depois de uns dez minutos, tomei coragem e levantei. A dor ainda continuava. Vesti meus chinelos e fui para o banheiro. Achei um remédio lá e tomei. Lavei meu rosto e escovei meu dentes.
Voltei para o quarto e procurei meu celular. Encontrei ele no criado-mudo ao lado da cama. Peguei ele e junto caiu um bilhete.
" Bom dia, ou pelo menos eu acho que já é dia... Ontem você pegou no sono no meu colo, te trouxe para casa e a Thamires me ajudou a te por na cama. Qualquer coisa estou na minha casa (bom, só até às 14horas). Até...
Lucas. "
Eu estava tão cansada assim?
Desci as escadas e a mamãe estava sentada na bancada da cozinha com uma xícara de café na mão e o notebook ligado. Seus olhos estavam inchados, uma mistura de quem acabou de acordar e de quem chorou muito. Caminhei em sua direção e depositei um beijo em sua testa.
- Oi - ela forçou um sorriso.
- A senhora tá bem? - digo me sentando do outro lado do balcão ficando de frente para ela.
- Vou ficar - ela sorriu novamente porem sem mostrar os dentes, enquanto segurava minha mão.
- Okay - sorri em resposta. Tá tudo tão estranho...
Peguei uma xícara e me servi de café também, estava sem fome então só fiquei naquilo mesmo.
Minha mente viajou, passando pela vovó e depois parando no Lucas... queria ir agradecer ele, bom, por tudo.
- Filha - mamãe me chamou.
- Hm - respondi voltando a realidade.
- Hm, esse aqui... bom, esse aqui não é o Lucas? - ela disse olhando para a tela do notebook.
- Cadê? - falei sem muita importância.
Ela virou a tela do notebook para mim e vi a matéria: "Cantor Lucas Lucco beija morena em boate e depois saem juntos na noite passada" minha cabeça girou, assim como meu estômago, completando 360 graus. Desci mais a página e me arrependi no mesmo minuto. Lucas realmente estava agarrado em uma mulher. Por impulso continuei descendo a página e por fim me deparei com a imagem dos dois entrando no carro. Gabriella. Meus olhos encheram de lágrimas e começaram a escorrer pelo meu rosto. Por um tempo esqueci da mamãe ali, só me dei conta quando ela me cutucou.
Saí dali e corri para o meu quarto.
Não sei da onde saia tantas lágrimas de mim, de verdade.
Eu sei, não sou nada dele. Ele é totalmente livre para qualquer coisa. Mas eu não tenho culpa se eu me apaixonei.
Acho que chorei tanto que acabei pegando no sono.
Acordei com o barulho de alguém batendo na porta.
- Quem é?
- Eu - mamãe disse.
Levantei e abri a porta, depois voltei para a cama.
- Tá tudo bem? - ela disse sentando na minha frente.
- Vai ficar.
- Ele tá lá embaixo. Veio se despedir. - isso foi o suficiente para o meu coração me sufocar.
- Eu não quero ver ele. - digo tentando me manter estável, enquanto um nó surgiu na minha garganta.
- Filha, ignorá-lo não vai mudar nada.
- Mãe...
- Mãe nada. Vou mandar ele subir. - ela me interrompeu.
Desisti de protestar, sabia que ia perder mesmo.
Ela beijou minha testa e saiu do quarto.
Respirei fundo 1, 2, 3 vezes. E então ele apareceu, com um maldito sorriso no rosto.
- Ah, oi - ela disse entrando no meu quarto - Você tá bem?
- Todo mundo tirou o dia para perguntar isso.
- Nossa - ele levantou as mãos - Calma.
- O que você quer?
- Vim dar tchau. - ele sentou na cama.
- Tchau. Pronto, pode ir. - ser grossa dessa forma tava doendo. Minha vontade era de abraçar ele, mas não, eu não sou dessas.
- Caramba, o que eu te fiz? - Lucas disse, parecendo confuso.
- Lucas, eu só preciso ficar sozinha - respirei fundo mais uma vez.
- Tá legal. - ele se levantou - Eu sei como é difícil, e-eu só quero ajudar.
- Não, você não sabe. Sabe porque? Porque não foi a sua Vó que morreu, porque não foi você que viu a foto da pessoa que você está perdidamente apaixonada beijando outra. - disse sem pensar, o que resultou eu falando demais. Dessa vez não consegui desfazer o nó que estava parado em mim e as lágrimas caíram.
- O-o que? - Ele estava com a boca entre-aberta.
- Lucas... - sussurrei tampando meu rosto.
- Que fotos foram essas? E de quem você está falando? - ele disse calmo, até demais para o meu gosto.
- Esquece isso. Eu não preciso que ninguém tenha pena de mim. - me levantei da cama - Vai lá viver sua vidinha de cantor, pegar todas na balada, rir, se divertir. Não é isso que você gosta? - limpei algumas lágrimas que insistiam em cair e sorri ironicamente.
- Dá pra você parar de falar assim?! Eu realmente não te entendo. Só me responda, o que eu fiz de errado?
Peguei meu celular em cima da cama e digitei no google o título da reportagem. Abri no primeiro site que apareceu e mostrei para ele.
- Por que você veio? Por que não continuou fazendo sei lá o que com a Gabriella?
Lucas tomou o celular da minha mão, analisando tudo o que tinha escrito ali.
- Isso não é verdade! - ele disse ainda olhando para a tela do celular.
- Como não? - ri - Tem fotos!
- Sim, quer dizer, isso faz tempo.
- Ah claro, um dia. - sorri, usando minha melhor arma, a ironia.
- Você acha que eu iria vir se eu tivesse realmente feito isso? Você acha que eu iria cancelar entrevistas, contrariar todo mundo pra vim te ajudar se eu tivesse nessas condições? Francamente. - ele jogou meu celular. Por sorte, ele caiu na cama. - Olha - ele se aproximou de mim e segurou firme meus braços. - Isso faz tempo. Essas fotos são antigas, deve ser alguma armação daquela garota - ele serrou os dentes.
- Será? - digo totalmente embriagada pelo choro.
- Não acredita em mim? - ele me olhou de uma forma suplicante.
- Eu não sei de mais nada. Eu... - sentei na cama e escondi meu rosto.
- Olha as fotos, nela eu não tinha essa tatuagem aqui - ele disse calmo dessa vez. Se agachou na minha frente e tirou minhas mãos do meu rosto. - Olha - ele apontou para uma das suas tatuagens no seu braço. - agora olha aqui - ele pegou meu celular de novo e mostrou seu braço na foto. Realmente, não tinha nada lá. - Eu não sou esse tipo de cara. - ele segurou meu queixo, fazendo meus olhos se encontrar com os seus.
Percebi que seus olhos estavam marejados também.
E cá estava eu, sentindo uma completa idiota.
- Lucas, me desculpa, e-eu
- Shiii, tá tudo bem - me afundei em seus braços.
- Eu sou uma idiota, eu sei. Mas tá tudo tão complicado - solucei. - Sinto muito.
- Não fala assim, por favor.
Nos soltamos e pedi para o Lucas deitar ali comigo. Eu não queria fazer nada e como ele disse que ainda tinha uma hora, pedi para que ficasse comigo. Ele aceitou, sem nenhum protesto.
Ele deitou e me puxou, passando um dos seus braços por baixo da minha cabeça, me fazendo deitar em seu peito. Seu coração batia em um ritmo maravilhoso, que foi capaz de acalmar tudo o que estava agitado em mim.
Seus dedos brincavam os meus e ficamos assim por um bom tempo.
- Naclara - ele sussurrou.
- Hm...
- É verdade quando você disse que estava apaixonada por mim?
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
CAPÍTULO 27
E meu celular tocou novamente, mas dessa vez já era de madrugada. Olhei para o visor e vi o nome da mamãe. Nem preciso dizer que já to preocupada né?!
- Alô?
- Filha - ela disse com a voz falha, chorando.
- Mãe?! O que houve? O que aconteceu? - sentei na cama.
- Sua Vó - e ela chorou de novo. Nada precisava mais ser dito. Ela se fora.
- Mãe, eu to indo para aí. - digo tentando passar firmeza, porque nessa hora já havia um buraco em mim.
- Tudo bem. - ela disse e desligou.
Não sabia como agir, minha cabeça girava assim como meu estômago. Um choque estava percorrendo todo o meu corpo, minha voz sumiu e a única coisa que eu conseguia fazer era chorar.
Eu nem pude me despedir. Eu nem tive tempo de dar mais um abraço nela e deitar em seu colo para ouvir suas histórias com o vovô. Agora, eles vão se encontrar.
Thamires apareceu no meu quarto, dizendo que escutou meu choro.
- A vovó - não sei se minha voz saiu - ela se foi.
Thamires me abraçou e chorou junto comigo, afinal, ela também conviveu com minha Vó.
- Eu preciso ir pra lá. - digo limpando as lágrimas e levantando da cama.
- Eu vou junto. - ela disse se levantando também.
- Okay. - Thami foi para seu quarto.
Abri meu guarda roupa e peguei a primeira calça e camisa que vi na frente. Coloquei meu tênis da oüs e um cardigã. Peguei minha mala, a menor delas, e coloquei só coisas necessárias. Arrumei meus documentos na bolsa, celular, óculos e boa.
Antes de sair do quarto, lavei meu rosto para ver se melhorava. Mas não melhorou. Parecia que um caminhão tinha passado em cima da minha cara.
Saí no corredor e vi a Thamires também saindo do quarto.
Ligamos para um táxi e por glória do destino tinha um vôo para MG. Já era 4:50 da manhã.
Durante o vôo, só me passava imagem da minha Vó e devido a isso, a impressão que dava era que chegamos em cinco minutos.
Pegamos outro táxi e o sol já estava aparecendo. Fomos para minha casa e chegando lá haviam vários carros.
Assim que entrei, vi mamãe sentada no sofá com um copo d'agua, papai do lado passando as mãos nas costas dela, os dois com os olhos vermelhos, mas minha mãe... ela já havia perdido o pai, agora a mãe. Não consigo imaginar a dor.
- Mãe - sussurrei para mim mesmo enquanto ia em sua direção. Me abaixei em sua frente e a abracei na tentativa de passar forças. Eu precisava disso, precisava ser forte por ela, para ela.
Está doendo em mim, muito. Mas não tem comparação de como ela deve estar.
- Obrigado. - ela disse no meio do choro.
- Mãe, olha - me soltei de seus braços para poder olhar em seus olhos. - Ela tá num lugar melhor. Ela vai encontrar o vovô e agora os dois vão cuidar da gente. - sei que nada disso ajuda, bom, pelo menos quando me falam isso nada muda, mas faz parte, podemos se dizer que é uma obrigação quando alguém muito próximo se vai.
- Eu sei - ela deu um meio sorriso e passou a mão pelo meu rosto.
Abracei o papai e nada foi dito. Ele não tinha o que dizer, nem eu. A casa estava cheia de tios e tias, primos que a muito tempo não via, alguns me deu até problemas em reconhecer. Todos vieram com aquela coisa de "meus pêsames", "sinto muito" mas sabe quando você vê que só falam da boca para fora?
Mais da metade não via a vovó por um bom tempo, muitos não estavam nem aí para ela desde então. Tá, digamos que eu não era a neta mais presente e que nesse último ano a vi poucas vezes... mas era diferente.
O funeral foi torturante, assim como a coisa toda. Mamãe passou mal, tivemos que dar calmantes para ela. Mas podemos se dizer que depois que a vi, eu senti algo. Ela estava bem (tá, ninguém fica bem dentro de um caixão) mas ela estava com uma aparência serena, usava seu vestido preferido e seu cabelo grisalho estava da forma que ela mais odiava. Sorri lembrando dela quando ela falava de seu cabelo.
E então, finalmente aquela tortura teve fim. Depois do enterro, não quis ir para casa. Não queria ver gente hipócrita, chorando de uma forma que pensasse convencer de estar realmente triste. Mas pela mamãe, eu fui. Depois de eu convencer, ela tomou um banho. Dei um remédio para ela e ela conseguiu pegar no sono.
Desci para a sala e todo mundo ainda estava lá, com a cara de paisagem.
- Ela tá melhor? - Tia Ludmila perguntou.
- Sim. Ela dormiu agora.
Fui em direção da porta quando escutei um "Não sei para que aquele escândalo todo no enterro".
Virei e falei. - Realmente você não sabe o porquê. Não sabe porque para você, aliás, vocês todos tanto faz e tanto fez. Se fingem de triste mas na verdade para vocês foram um alívio. Realmente vocês não sabem a dor de perder alguém que se ama. Por favor, poupe-me de tanta falsidade, vocês não estavam nem aí para a vovó, nunca tiveram. Só queriam saber de sugar ela. Hipócritas." Todos me olhavam com uma expressão de assustados. Me virei e saí, sem rumo, sem direção.
Eu estava perdida. O que fazer? O que pensar? Eu só queria o fim dessa dor, dessa tristeza, do vazio em mim.
Por fim, parei no campo onde o Lucas me levou naquela madrugada. Sentei ali e desabei. Chorei tudo o que segurei durante o dia. Chorei para mostrar que não, eu não era forte o bastante igual pareci ser o dia todo. Chorei em desabafo.
- Por que? Por que você me tira pessoas tão maravilhosas da minha vida? - digo olhando para o céu que estava repleto de estrelas e uma lua grande cheia.
- Ele sabe o que faz - escutei uma voz atrás de mim.
Me virei e o Lucas estava ali parado, olhando para o céu com as mãos no bolso.
- Lucas?!